Mulheres Revolucionárias: Mária Telkes

Mária Telkes foi uma mulher revolucionária, mas acima de tudo, foi a cientista e inventora que revolucionou a área da eletricidade com seu trabalho.

Formada em físico-química na Universidade de Budapeste, Mária Telkes decidiu se tornar cidadã norte-americana em 1937, onde começou a trabalhar para a Westinghouse Electric onde foi capaz de desenvolver instrumentos que convertiam calor em energia elétrica.

Logo começou a trabalhar em dispositivos termoelétricos movidos a luz solar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) como parte do Projeto de Conversão de Energia Solar, e em 1939 se destacou por uma de suas invenções mais importantes, o destilador solar que convertia água salgada em potável. Com o novo sistema, foi possível entregar água para soldados que lutavam na Segunda Guerra Mundial e diminuir as demandas em lugares onde a água era escassa, como as Ilhas Virgens.

Continuou trabalhando com energia solar durante toda a sua vida, mas um dos projetos de maior destaque foi a construção da primeira residência aquecida com energia solar em Massachusetts.

Além disso, também ajudou a desenvolver materiais capazes de suportar as temperaturas extremas do espaço.

Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios por sua grande contribuição ao mundo.

Mulheres Revolucionárias: Catarina, a Grande

Catarina nasceu na Pomerânia, a atual Polônia, em 1729.C Era conhecida como Sophie Friederike Auguste, ou apenas princesa von Anhalt-Zerbst, antes de se casar com Pedro III da Rússia.

Antes de seu casamento, era pouco provável de que conseguisse subir ao trono mas o que ninguém esperava era que Sophie seria uma das rainhas mais famosas da história.

Seu pai era um homem de confiança dos czares da Rússia e Isabel, a czarina, tinha uma afeição especial pela garota.

Para conseguir entrar em acordo matrimonial com o filho do rei, Sophie teve que mudar seu nome e sua religião para conseguir se adaptar à cultura local.

Em janeiro de 1762, com a morte de Isabel, os príncipes finalmente subiriam ao trono. Mas essa coroa não ficaria muito tempo na cabeça de Pedro III pois em setembro do mesmo ano, foi assassinado e Catarina assumiria o poder total da coroa.

O amante de Catarina, Gregori Orloff, estava organizando um plano para derrubar o czar há muito tempo, mas acabou sendo descoberto e, correndo o risco de serem condenados por traição ao rei, os dois amantes resolveram dar um golpe de Estado para Catarina ficasse com todo o poder e assim, não fossem decapitados. Mesmo com o golpe, Orloff estava receoso de que o rei ainda conseguisse se vingar e o matou.

Após descobrir o que havia acontecido com seu marido, Catarina tratou de cortar relações com seu amante para que ninguém suspeitasse de sua ligação com o assassino.

Mesmo com todos os escândalos que a envolviam, ela foi uma grande rainha pois teve de lutar contra o Império Otomano durante todo o seu reinado e obteve vitória todas as vezes. Também anexou inúmeros territórios ao Império, fazendo com que a Rússia chegasse ao Mar Negro que é de extrema importância para o transporte comercial.

Além disso, foi ela quem inaugurou a Universidade de Moscou e a Academia Russa. Além de ser diretora da Academia Imperial das Artes, atualmente conhecida como Academia Russa das Ciências e fazia parte do membro da  Academia Real de Ciências da Suécia.

Durante todo seu reinado, Catarina melhorou profundamente o ensino das artes e ciências, tanto que foi a primeira mulher da história a comandar uma academia nacional de ciências.

Mulheres Revolucionárias: Joana D’arc

Na França de 1400, existia uma jovem chamada Joana D’Arc. Ao contrário do que era comum para a época, ela conseguiu liderar tropas do rei Carlos VII e ganhou batalhas importantes durante a Guerra dos Cem Anos. Joana com certeza foi uma das mulheres revolucionárias do mundo.

Durante o século XV a França passava por grandes dificuldades dinásticas e sua população estava com problemas de terra, comida e financeiros. Como Joana morava no campo, viu que sua família estava passando por dificuldades por conta da Guerra, ela percebeu que precisava fazer alguma coisa a respeito.

Esta jovem mulher da antiguidade também era conhecida como Donzela de Orleans devido ao seu local de nascimento (Domrémy-la-Pucelle). Ela dizia que ouvia algumas vozes, e logo percebeu que elas eram de algumas entidades como o arcanjo Miguel, a Santa Catarina de Alexandria e também da Santa Margarida de Antioquia.

Segundo a própria, essas vozes poderosas a disseram para se juntar ao exército e garantir a coroação do rei da França, Carlos VII. E depois de 3 anos ouvindo essas vozes, foi exatamente o que fez, aos 16 anos D’arc foi para a guerra.

No começo, precisou convencer muitas pessoas de que conseguiria batalhar, já que as mulheres não participavam de nenhum tipo de guerra. Ao passar certo tempo em batalha, conseguiu até mesmo convencer o Rei de que era forte o suficiente para liderar um batalhão francês.

Este cenário ainda é confuso para os historiadores, alguns dizem que ela realmente foi para o campo de guerra, já outros dizem que ela fazia parte do time de estratégia e preparação das tropas do Rei. Mas seu nome ficou grandioso em dois campos de batalha: Orleans e Reims.

A coroação dos reis da França aconteciam na comuna de Reims, portanto uma das vitórias de Joana garantiu que a coroação de Carlos VII acontecesse em 1429. Ele já era monarca desde 1422, mas com a guerra a coroação precisou ser adiada.

Em 1430 foi capturada em batalha por borguinhões e acabou sendo vendida para os ingleses, onde permaneceu presa para ser julgada durante a Santa Inquisição.

Em seu julgamento, levaram em conta o fato dela vestir roupas de homens considerado como heresia e também a condenaram por bruxaria pelo fato dela dizer escutar vozes do além.

Mesmo sendo um dos principais nomes na Guerra dos Cem Anos, Joana D’arc foi queimada aos 19 anos em praça pública. Sua execução aconteceu em 1431, na cidade de Rouen, na França.

Apesar do passado ter sido injusto com as mulheres, D’arc foi beatificada e canonizada em 1909 e nos dias de hoje é tida como a Santa Padroeira da França.

Mulheres Revolucionárias: Marie Curie

Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, aliás, ela também a única a conseguir dois desses prêmios em campos científicos distintos, o de física (em 1903) e de química (em 1911).

Marie é a pesquisadora e professora polonesa mais conhecida de todos os tempos, principalmente por ter conseguido se destacar em áreas dominadas por homens em sua época.

Ela conseguiu quebrar a barreira de ser vista apenas pelo seu gênero, o que acontecia com praticamente todas as mulheres daquela época, mas não apenas conseguiu seu lugar no mundo como virou sinônimo de estudo da radiação, já que suas pesquisas viraram base para a ciência nuclear moderna.

Bons exemplos da importância de seu trabalho são a radioterapia e a descoberta de 3 elementos radioativos em 1898, o Polônio, Tório, e o Rádio.

Infelizmente, seus trabalhos também contribuíram para a anemia aplástica que causou sua morte prematura aos 66 anos, pois Curie manipulava isótopos radioativos sem os procedimentos de segurança adequados, que surgiram a partir de suas descobertas.

Marie nasceu na Polônia, mas para conseguir estudar, precisou se candidatar em uma universidade clandestina chamada Uniwersytet Latający (Universidade de Voo), uma instituição subterrânea projetada para mulheres e também para manter a cultura polonesa, já que o país estava sob o controle da Rússia.

Em 1891, pensando em um futuro melhor, ela decidiu ir para a França e se matriculou na Universidade de Paris para estudar física, química e matemática.

Alguns anos mais tarde, o  físico Henri Becquerel estava estudando alguns raios intrigantes que emanavam do urânio, já o cientista Wilhelm Roentgen conseguiu comprovar a existência de raios-x. Vendo todo esse estudo, Curie se inspirou e usou os dois fenômenos descobertos pelos pesquisadores para realizar um estudo, e foi então que descobriu que as ondas misteriosas de Becquerel era a radioatividade.

Foi então que Becquerel, Roentgen, Marie e seu marido se uniram para tentar isolar os elementos que estavam sendo estudados anteriormente.

Nessa época Curie também aproveitou para criar a sua tese de doutorado com base na radioatividade, chamada Research on Radioactive Substances.

Com tantas pesquisas e descobertas dos quatro pesquisadores, acabaram chamando a atenção do Comitê do Prêmio Nobel. O grupo conseguiu ganhar o prêmio, mas por pouco que Marie não fica de fora dessa lista, ela só conseguiu pois seu marido reclamou diretamente ao comitê, e isso se tornou um passo muito importante para que mulheres começassem a ser indicadas e ganharem um Nobel pela capacidade intelectual.

Outro passo pioneiro aconteceu em 1906, quando a Universidade de Paris ofereceu o primeiro cargo de professora para uma mulher, e Marie Curie aceitou o convite e poucos anos depois, em 1914 , ela já havia conseguido um laboratório dedicado ao estudo do rádio em conjunto com o Instituto Pasteur.

Nesta mesma época, a Primeira Guerra Mundial começou e foi então que ela começou a trabalhar com sua filha, treinando e dirigindo enfermeiras da Cruz Vermelha e desenvolvendo equipamentos de radiologia de campo.

Depois de sua morte, uma de suas filhas, Irène, continuou os estudos deixados pela mãe e a garota também recebeu um Prêmio Nobel de Química, no ano de 1935.

Mulheres Revolucionárias: criações essenciais

Algumas criações e descobertas essenciais que foram feitas no passado parecem muito comuns hoje em dia, mas a história poderia ser bem diferente se algumas mulheres não tivessem feito a diferença.

Mulheres Revolucionárias: criações essenciais
Foto por Lukas em Pexels.com
Olga D. Gonzalez-Sanabria

Olga foi uma cientista e inventora porto-riquenha. Ela teve um papel fundamental na criação das baterias que habilitam o sistema de energia da Estação Espacial Internacional, as baterias de Níquel-Hidrogênio.

Como a Estação Espacial Internacional não está  sob luz solar direta o tempo todo, durante a década de 1980 ela conseguiu permanecer com energia para sustentar os sistemas e experimentos que se passavam ali graças as baterias.

Desde 2017 as baterias de íons de lítio substituíram as de Olga, mas foi com a ajuda dessa mulher que conseguiram criar algo ainda melhor.

Melitta Bentz

Em 1908, a empreendedora alemã chamada Melitta Bentz criou o primeiro filtro de café. Antes disso, o café era feito com a ajuda de filtros de saco de linho, mas ele além de ser quase impossível de limpar, ainda deixava resíduos na bebida.

Pensando nisso, Melitta experimentou diversas técnicas, mas a vencedora foi a ideia mais simples. A dona de casa fez alguns furos no fundo de uma caneca de latão e depois pegou um pouco de papel de caderno escolar de seu filho e percebeu que o resultado foi perfeito, sem resíduos e menos amargo que o que era servido antigamente.

Naquele mesmo ano decidiu obter a patente e fundar sua empresa.

Marion Donovan

Sabe aquela famosa capa de fralda à prova d’água? Foi Marion Donovan quem a inventou.

Como já estava cansada de encontrar as fraldas de seu filho vazando e sujando a roupa de cama, ela decidiu embrulhar as fraldas da criança com pano de paraquedas de nylon e acabou percebendo que além de não vazar, também não causava assaduras. Em 1951 vendeu sua ideia para a Keko Corporation por US$ 1 milhão.

Ann Tsukamoto

Em 1991 a pesquisadora de células-tronco Ann Tsukamoto inventou um método para isolar células-tronco no corpo. Depois de muitas pesquisas e teorias de que essas células conseguiriam salvar vidas, uma mulher finalmente conseguiu fazer o que ninguém estava conseguindo naquela época.

Atualmente as células-tronco podem ser transplantadas para tratar pessoas com doenças autoimunes e o câncer.

Mary Anderson

Antigamente os o limpador de para-brisa não podia ser controlado pelo lado de dentro do carro.

Em 1903 Mary Anderson percebeu uma oportunidade única quando estava dentro de um bonde e notou que o motorista não conseguia enxergar direito por conta dos granizos que estavam caindo naquele dia. Na mesma semana contratou um designer para que os dois conseguissem criar um dispositivo manual onde fosse possível limpar a janela sem sair de dentro do carro e desde então esse luxo passou a ser comum nos automóveis.

Mulheres Revolucionárias: as irmãs Brontë

Antigamente muitas áreas eram vistas como masculinas, ou seja, as mulheres não podiam trabalhar nelas. A literatura é uma delas, mas para seguir a paixão da escrita, muitas mulheres usavam pseudônimos masculinos para que seus livros fizessem sucesso.

A família Brontë é um ótimo exemplo disso. As irmãs Charlotte, Emily e Anne são responsáveis por livros famosos até os dias de hoje, como O Morro dos Ventos Uivantes e Jane Eyre.

Mulheres Revolucionárias: as irmãs Brontë

Embora não fossem de classe alta, as irmãs ficaram famosas com as publicações de livros, alguns deles baseados em suas próprias vidas. As três começaram a trabalhar desde muito novas como governantas e professoras.

Charlotte Brontë começou a usar o pseudônimo de Currer Bell após seu primeiro trabalho, O Professor, não ter ido tão bem. Já seu segundo livro, Jane Eyre, foi um sucesso.

Já Emily decidiu usar o nome Ellis Bell quando publicou seu único romance, chamado O Morro dos Ventos Uivantes e assim que foi lançado, gerou grande confusão e polêmica entre a geração daquela época.

Além do livro, também escreveu diversos poemas que hoje em dia são muito cobiçados por colecionadores e bibliotecas.

Nenhuma outra obra foi publicada pois Emily morreu de tuberculose um ano após a publicação de seu livro, aos 30 anos.

A última e mais nova irmã da família, Anne, também conhecida pelo pseudônimo de Acton Bell, decidiu publicar um novo volume ao livro de sua irmã Emily. O anexo contava a história de Agnes Gray e também foi baseado na vida das garotas. Poucos meses mais tarde, Anne publicou a obra O Inquilino de Wildfell Hall e não decepcionou, pois o livro entrou para a grade de sucessos da família.

Infelizmente, Anne também morreu muito jovem, aos 29 anos, com a mesma doença da irmã.

Os críticos daquela época aclamavam as obras e não tinham dúvidas que os autores dos livros eram homens, já que eram histórias brutais e mulheres jamais conseguiriam escrever tais coisas.

Alguns até pensavam que as três irmãs eram, na verdade, apenas um homem com três nomes diferentes, ou seja, existia apenas um autor.

A beleza mortal da Era Vitoriana

Quase tudo o que usavam durante a Era Vitoriana (1837 – 1901) era perigoso. Naquela época começaram a surgir uma série de cosméticos, tônicos, biscoitos, chás, sais de banho e até chocolates radioativos.

Para embelezar a pele, dentes e cabelo estes produtos levavam ingredientes como arsênico, chumbo, mercúrio e plantas venenosas como Bella Donna.

Como mostrar a pele pálida estava na moda e era sinal de status naquela época, pois mostrava que era ricas o suficiente para não trabalharem expostas ao sol quente, as mulheres recorriam a todos os tipos de produtos que lhes eram oferecidos, mesmo que não fosse indicado para a saúde.

Um desses produtos é o Alvaiade, um pó feito com bicarbonato de chumbo. Seu uso era feito como talco mas algumas pessoas também diluíam na água para formar uma pasta. Esse é um costume que vem desde o século XVII, pois era o tipo de maquiagem favorita da Rainha Elizabeth I.

Também há rumores de que algumas mulheres preparavam suas banheiras com água e arsênico para tomarem banho e suas peles ficarem brancas e sem manchas. Mesmo que o toque não seja tão mortal quanto a ingestão, os banhos quentes continham vapor e as mulheres inalavam esses gases, o que causava diversos problemas, como o câncer pulmonar.

Para complementar os banhos, sabonetes de arsênico também eram populares, e prometiam trazer o mesmo resultado do banho. Seu uso trouxe problemas gástricos, alergia na pele e irritação nos olhos.

A beleza mortal da Era Vitoriana

O sexo feminino era tido como frágil, e para que os homens continuassem pensando desta forma, as mulheres precisavam ter um olhar triste e lacrimejante, já que isso passava um ar de insegurança e dessa forma seria muito mais fácil conseguir um casamento. Para isso, foi criado um colírio feito com Bella Donna, uma planta venenosa que além de deixar os olhos úmidos, também aumentava a pupila, deixando seus usuários com olhar de cachorrinho sem lar. Mas se fosse usado de forma errada ou exagerada, podia causar cegueira.

No inicio do século XX, o metal Tório (Th) já era muito popular, mas com a descoberta do Rádio (Ra) (feita por Marie Curie em 1896) muitos cosméticos aderiram a esta nova moda. O creme Tho-Radia ficou muito popular entre as mulheres da época. Com uma mistura dos metais Tório e Rádio, ambos radioativos, este creme era muito perigoso.

A beleza mortal da Era Vitoriana
Creme Tho-Radia.
Imagem do Google

Ainda com pouca pesquisa, o laboratório Bailey Radium anunciou que aquele creme milagroso poderia curar câncer de estômago, doenças mentais e ainda ajudava a restaurar a vitalidade e a energia sexual.

Outro produto famoso eram os biscoitos do Dr James P. Campbell, que prometia uma pele clara, quase transparente, além de oferecer uma pele livre de rugas e imperfeições. O efeito prometido era realmente alcançado, já que as pessoas que os comiam ficavam doentes.

A beleza mortal da Era Vitoriana
Biscoitos do Dr James P. Campbell.
Imagem do Google

Quando os consumidores reclamavam que os biscoitos causavam vómito e diarreia, a marca disse que aquilo era um bom sinal, já que o organismo estava sendo purificado.

Após a alimentação, é necessário escovar os dentes. Mas como manter os dentes sempre brancos? Com o talco de cocaína.

Naquela época os vitorianos usavam pós dentais para fazer a higienização bucal, a maioria era caseiro mas para as pessoas que buscavam ter um dente tão branco quanto a pele, era comum recorrer a produtos comerciais.

Os pós caseiros eram feitos com pó de giz, coral e de fuligem. Mas para o dente ficar ainda mais branco, era comum o uso de cocaína. Ela também deixava a boca das pessoas dormentes, o que diminuía dores comuns da época, como a gengivite.

Muitas pessoas simplesmente misturavam ingredientes sem saber o seu verdadeiro uso e chamavam de receita milagrosa, podendo intoxicar ou matar várias outras indiretamente.

História Tudor: Como viviam as mulheres do período

Podemos ver, ainda nos dias de hoje, que muitas mulheres passam por dificuldades e se sentem excluídas por não fazerem parte do padrão de beleza atual, ou não ter roupa da moda, mas sempre foi desse jeito? Perguntamos para a Ana Carolina Gomes e Liliane Oliveira, formadas em design de moda, sobre como era viver no século XV e XVI sendo uma mulher.

Por que antigamente as mulheres eram retratadas (em pinturas) de forma triangular enquanto os homens eram retratados de forma quadrada? 

Liliane: A ideia de que homens sempre devem ser fortes e mostrar virilidade e as mulheres feminilidade e fertilidade, sempre foram evidenciadas pelas suas vestimentas, então o formato de suas roupas mostravam exatamente essa divisão, homens com ombros largos, em alguns casos nessa época, com reforços e evidência para sua genitália, mostrando masculinidade e virilidade, daquele que era o provedor.  Enquanto a mulher, tinha evidência de busto e quadris, que evidenciavam sua feminilidade e fertilidade, as casadas ainda carregavam a obrigação de vitrine do poder aquisitivo de seu marido, quanto mais joias, bordados e ostentação havia nas suas roupas, maior poder aquisitivo tinha sua família.
É importante lembrar que adornos, bordados e ostentação eram encontrados em trajes femininos e masculinos nessa época.

Ana Carolina: Mas as questões também vêm de antes do período Tudor, pois é sobre um padrão de modelagem que seguiu por muito tempo. O que o Tudorismo trouxe para a moda foi a influência da igreja como: Puritanismo, Opulência e tem influência Hispânica e Italiana.

Imagem por Tudor Brasil

Qual era o papel da anágua e da túnica na antiguidade? 

Liliane: Túnicas e anáguas eram utilizadas como roupas de baixo, normalmente brancas, quanto maior a quantidade de trocas (era o ideal ter pelo menos 1 troca de roupa para cada dia da semana, ter um número maior que esse era um sinal de ostentação e riqueza) e quanto mais brancas, maior o poder aquisitivo. Geralmente essas peças eram feitas em linhos finos.

Ana Carolina: A anágua que também pode ser chamada de Petticoat, começou a ser usada em 1585. Era normalmente usada como segunda pele para diminuir a transparência de outras peças mas também para definir o corpo da mulher, mudar o formato do corpo, ter cinturas mais finas e quadril maior e se pode ver o uso dela até o século 18. Claro que as mesmas tiveram modificações, de tecidos, formatos, usos e etc.

Já a túnica foi algo que veio da pré história, inicialmente usada para proteção contra frio e também para a caça onde o homem se opunha contra outros animais feitos de fibras vegetais e peles de animais.

Com o passar dos séculos a vestimenta tomou outros propósitos, também usado para diferenciar indivíduos normalmente do sexo masculino, visto bastante no Oriente médio com o propósito totalmente diferente, em tecidos leves, modelagem larga e em cores claras.

Imagem por Tudor Brasil

Por que as mulheres precisavam usar capelo antigamente?

Liliane: O capelo era um acessório que além de mostrar riqueza, servia como identificação para as mulheres. Mulheres casadas não podiam usar cabelos soltos, pois eram mal vistas, portanto usavam capelos que cobriam todo o cabelo ou capelos com faixas. As mulheres solteiras usavam capelos com cabelos soltos em sinal de virgindade e castidade.

Imagem do Google

Sabemos que a maquiagem foi usada muito tempo para indicar posição e status de uma pessoa, mas elas eram muito prejudiciais para a saúde? E a tintura para cabelos? 

Liliane: A maquiagem além de status era muito utilizada para esconder certas doenças de pele, machucados, etc. Principalmente quando eram colocadas as pretas, usadas para esconder feridas. Muitas dessas doenças eram ocasionadas pela falta de higiene. Realmente não tinham muitos estudos, ou técnicas, então não eram muito saudáveis.

Ana Carolina: Sim, a maquiagem era usada para mostrar sua posição e status diante a sociedade, mas também para esconder marcas, pequenas deficiências e de doenças como a varíola, herpes… Mas os padrões de beleza eram levados totalmente como questões de status, peles claras e cabelos dourados para se diferenciar as classes ricas e superiores, pois as mulheres pobres  que trabalhavam fora acabavam tendo tom de pele bronzeada o que não era ideal para os ricos.

Acredito que como na época tudo era feito baseado para mostrar status, eram sim prejudiciais pelo excesso, mas na maioria eram usados produtos naturais, lembrando que na época a higiene era algo feito com pouca frequência tanto nos corpos quanto nas roupas, então o perfume foi algo que foi usado com frequência para abafar odores mas também como um demonstrador de status.

O lugar da mulher

As mulheres sempre foram julgadas e estereotipadas pois eram “feitas” para determinadas funções dentro da sociedade. O pensamento de que elas devem cuidar de trabalhos domésticos, do marido e dos filhos existe até os dias de hoje.

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, entrevistei algumas mulheres incríveis com formações em diferentes áreas do conhecimento, que mostraram como é enfrentar o machismo dentro do seu ambiente de trabalho e na faculdade durante o dia a dia.

A maioria das pessoas que frequentam a minha faculdade moram por perto, então todo mundo vai andando até um dos campus e o assédio já começa aí né? Ainda na rua já fui perseguida por carro com homens dentro, amigas já foram perseguidas por um cara de moto que seguia as mulheres e mostrava seu órgão, até mesmo universitários já perseguiram mulheres de carro dizendo coisas e ameaçando.

Em festas universitárias já teve caso de beijo “sem querer”, de homem fingindo estar bêbado demais e caindo no meu rosto ou no colo. Mas têm casos mais pesados, comigo foi um cara que eu tinha intimidade e ele se sentiu no direito de tentar transar comigo enquanto eu dormia e estava dopada de remédio (que ele sabia que eu usava). Descobri vários casos de amigas que passaram por situações parecidas e então e decidimos fazer um grupo com mulheres da faculdade e moradoras da cidade também. Encontramos um cara que estuprou 8 meninas e acabamos expondo vários da lista que fizemos (cuja deu mais ou menos 69 nomes de abusadores e estupradores) e tivemos a iniciativa de criar o coletivo Corpo e Regra como projeto de extensão da faculdade. Me aliviou muito ter apoio e conseguir apoiar outras mulheres também.

Anônimo

Tenho que provar que sei o que estou fazendo ou falando a todo momento, mesmo dentro da sala de aula, já teve situação do próprio professor começar a rir da minha cara e me desacreditar. Tenho que me explicar a todo momento para poder participar. O maior problema é a questão do espaço de fala, você precisa mostrar que sabe se impor e que merece estar na faculdade a todo momento. Já fui muito desacreditada por outros alunos por querer atuar na área esportiva e ser mulher, mas tive muita sorte de ter mentores, homens ou mulheres, que sempre me apoiaram.

Juliana Santana, direito

Além da clara diferença salarial, o assédio e abuso (seja físico ou psicológico) e a dificuldade para serem levadas a sério ainda são grandes desafios para serem superados.

Muitas vezes uma mulher não é selecionada em uma vaga de emprego pelo simples fato dela ser uma mulher, não importa o seu currículo, capacidade ou experiência.

A desculpa mais usada nesses casos é que a mulher engravida e precisa de licença maternidade e acaba se tornando um funcionário mais caro para a empresa e por esse motivo, precisa pagar durante toda a sua carreira. E mesmo assim, muitas mães são demitidas assim que voltam da licença-maternidade e encontram dificuldades para voltarem para o mercado de trabalho.

Trabalhava em uma empresa muito preconceituosa, além de ser muito humilhada lá, quando fui despedida me deram a desculpa de que queriam cortar custos mas eu ganhava um salário mínimo e meu supervisor ganhava o dobro. A desculpa que eles me deram foi sem nexo e deixou claro que o motivo real era homofobia.

Na minha faculdade, tive uma professora que dava exclusividade para os meninos. Quando fazia trabalho com um grupo onde apenas eu era mulher, todos ganhavam uma nota maior que a minha, sendo que o trabalho era o mesmo. Durante as aulas era perceptível que o tratamento e a atenção com os homens eram diferentes.

Isabela Veloso, contabilidade

A lei 1.723/1952 que diz a todo trabalho de igual valor prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade ou idade.” é simplesmente ignorada por muitas empresas.

Segundo estudos do IBGE, a  desigualdade salarial entre os anos de 2012 e 2018 foi possível ver uma leve diferença nessa desigualdade, mas ainda está longe de ser o ideal, já que as mulheres ainda ganham cerca de 20,5% menos que os homens.

O lugar da mulher
Foto por Christina Morillo em Pexels.com

Naquela época eu não fazia faculdade porque precisava de um emprego fixo e uma estabilidade financeira, mas o meu tio uma vez veio me perguntar se o meu namorado trabalhava e estudava e respondi que sim, e nisso ele disse “é assim mesmo, ele que te banca e você segue dependente” me olhando como se eu não pudesse ter um futuro.

Gabrielli Souza, design de interior

Quando estava na faculdade alguns meninos da minha sala já rebaixaram muito as meninas por pouca coisa, sabe… “ah, mas você é menina, não pode entrar numa construção e falar o que deve ser feito”. Eu já ouvi coisas desse tipo e os professores praticamente cagavam pra isso. A maioria dos professores eram homens, e eles não ligavam pra nada além do dinheiro no bolso.

Yasmin de Paula, arquitetura

Ser estudante não é fácil, mas ser estudante e mulher, é mais difícil ainda. Muitas pessoas não pensam duas vezes antes de fazer um comentário maldoso. Muitas mulheres não seguem a tão sonhada carreira por medo do que as pessoas vão pensar, ou do que pode sofrer dentro deste ambiente.

Um ótimo exemplo disso foi a Copa de 2018, que foi marcada por episódios de assédio. Entre muitos nomes, é possível citar a jornalista Bárbara Gerneza, que além de receber uma tentativa de um beijo forçado, um grupo a cercou e começou a cantar músicas de cunho sexual para ela.

Os casos de beijos forçados durante toda a transmissão desse grande evento foi muito grande, mostrando o motivo de muitas mulheres não se sentirem bem no momento de escolher sua carreira.

A maioria das áreas médicas são predominantemente masculinas, e as áreas consideradas “femininas” são sempre relacionadas a maternidade, estética e fatores que correspondem ao estereótipo da mulher ocidental, uma figura delicada, frágil e maternal. Me sinto valorizada e incentivada quando trabalho com outras mulheres. Quando em companhia de homens, vejo que tendem a fazer comentários sugerindo que deveria buscar “áreas mais femininas” e que sou muito delicada para determinadas tarefas. Frases como “você é tão delicada para ser ortopedista” é muito comum.

Me sinto diminuída profissionalmente quando algum cirurgião me convida para o acompanhar e faz alusão a minha beleza física, e sequer cogita explorar minhas habilidades intelectuais ou físicas.

Em geral, a mulher sofre com a dupla jornada de trabalho, e esse é um dos fatores que mais influenciam tanto na escolha da especialidade quanto nas escolhas pessoais. O grande desafio da mulher é consolidar uma carreira sem ceder seus objetivos pessoais, como a maternidade, o casamento, e todas as expectativas e responsabilidades que são socialmente delega a mulher.

Laís Cordeiro, medicina

Antes a arquitetura era um mundo extremamente masculino, tanto é que quando se estuda arquitetura a maioria dos nomes famosos são masculinos e só recentemente têm ressaltado arquitetas famosas. Enquanto eu e algumas meninas estávamos na faculdade, tínhamos que pedir pros professores falarem sobre as arquitetas mulheres.

Muitas pessoas me falavam “você vai fazer arquitetura né? Realmente, é mais delicado, feminino, você vai adorar decorar as casas… Engenharia é mais masculino mesmo” e muitas mulheres sentem dificuldade de tocar obras por conta desse preconceito mas isso é algo que tem mudado mais com o tempo

Também acontece de comentários dos professores (homens) diminuir o trabalho de algumas alunas mulheres. Já ouvi de um amigo “espero que o professor X te leve a sério e não te desmereça”, quando estava indo apresentar um trabalho.

Victoria Prado, arquitetura

É possível ver que não importa a área que uma mulher escolha, o julgamento sempre estará presente.

Os desafios são inúmeros, mas as mulheres continuam a lutar por seu lugar no mundo todos os dias. Ao longo dos anos muita mudança aconteceu, mas ainda está longe de ser o ideal.

História Tudor: Elizabeth I

Sem nenhuma duvida de quem sucederia o trono, em janeiro de 1559 Elizabeth I foi coroada rainha da Inglaterra. Conhecida como Gloriana, a jovem Rainha das Fadas, desta vez, uma mulher foi recebida de braços abertos pela população.

Mesmo com todos os gritos de aprovação com a nova rainha, ainda restava um obstáculo para Elizabeth, se casar. O que era um grande desafio, pois ela se considerava casada com o seu povo. Um herdeiro era necessário para manter a dinastia intacta, porém ela nunca pensou na possibilidade, nunca se vira como a esposa de um rei. Não aceitaria que um homem governasse o seu país, o seu povo.

Conhecida também como “a rainha virgem”, muitos especulam até hoje o que realmente aconteceu para que ela nunca tenha se casado.

O seu único interesse romântico conhecido da época foi Robert Dudley, seu amigo de infância. Todos sabiam que ele era o “favorito da rainha” mas nunca conseguiram provar um romance verdadeiro. Mesmo que Elizabeth demonstrasse ter ciúmes de Robert, nunca considerou casar-se com ele. Os dois permaneceram amigos até o último dia de suas vidas.

Infância

A princesa Elizabeth teve uma vida difícil enquanto crescia pois sua mãe, Anne Boleyn, foi condenada por traição, isso significava que ela poderia ser uma filha ilegítima. E isso logo surgiu na cabeça de Henry VIII, seu pai.

Portanto, cresceu longe de sua família e não tinha mais direito ao trono. Apenas em 1543 que foi considerada realmente filha do rei.

Religião

Ao contrário de sua irmã Mary I, decidiu ir por um caminho com mais aceitação e tolerância religiosa, pois mesmo sendo protestante, não obrigava seus súditos a seguirem a mesma religião e assim acabou com a perseguição religiosa que havia se instaurado no país com a rainha anterior.

Invencível armada

Em 1588, o rei da Espanha organizou uma armada para atacar a Inglaterra e acabar com a influência que o país tinha sob os Países Baixos. Com a vantagem sendo da Espanha, por ter um número de navios superior, todos achavam que a vitória era óbvia, mas com todos os investimentos que a Inglaterra havia feito em sua frota, seus navios eram mais bem preparados para aguentar um imprevisto. E foi exatamente o que aconteceu. A maior tempestade que os tripulantes já haviam visto aconteceu durante a guerra e os navios espanhóis não aguentaram e afundaram. A baixa de navios e tripulação foi alta para os dois lados mas a Espanha levou a pior nesse episódio.

Em terra firme, em Tilbury, a rainha Elizabeth I aguardava a frota espanhola para a batalha, enquanto dava um discurso encorajador para seus súditos apenas algumas horas antes de saber que já havia ganhado a guerra.

Eu venho até vocês, como vêem, neste momento, não para entreter-me ou divertir-me, mas estando decidida a viver ou morrer entre vocês, no calor da batalha […] Sei que tenho o frágil e fraco corpo de uma mulher, mas eu tenho o coração e estômago de um Rei, e de um Rei da Inglaterra também.

Sabendo que naquela época, a mulher era vista como incapaz e apenas homens lutavam, fez este discurso principalmente para que não fosse julgada pelo seu povo e mostrar que era capaz de qualquer coisa.

Novo mundo

Em 1584, Elizabeth queria expandir seus horizontes e enviou Walter Raleigh para navegar as águas da América do Norte e assim, descobriu e colonizou Virginia (nome dado em homenagem à rainha), agora um dos 50 estados dos Estados Unidos.

No ano seguinte, com a ajuda de John White, um famoso explorador, descobriram Roanoke Island, agora conhecida como Carolina do Norte. Raleigh também passou pela costa brasileira, descobrindo novos animais e especiarias. Também pensou ter descoberto o El Dorado, uma lenda onde diz que havia uma cidade feita inteiramente por ouro e ter inúmeros tesouros.

Últimos anos

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Depois de ter pego varíola e a doença ter deixado várias manchas em sua pele e pouco cabelo em sua cabeça, quanto mais sua fisionomia mudava, mais Gloriana ficava aborrecida, já que sua imagem era extremamente importante em seu trabalho.

Em 1598, a rainha começou a trocar cartas com Jaime VI, o filho de Mary Stuart e rei da Escócia. Um de seus conselheiros, Robert Cecil, fez com que todas as cartas fossem enviadas em extrema confidencialidade.

Em 1603 as coisas começaram a piorar quando alguns amigos próximos de Elizabeth morreram e isso a deixou com depressão. Alguns meses depois do incidente, decidiu entrar em seu quarto, no palácio de Richmond, e se recusava a sair, morrendo pouco tempo depois.

Em suas últimas palavras, disse que deixava seu trono para Jaime VI, terminando assim, uma linhagem inteira dos monarcas da casa Tudor.