Mulheres Revolucionárias: Mária Telkes

Mária Telkes foi uma mulher revolucionária, mas acima de tudo, foi a cientista e inventora que revolucionou a área da eletricidade com seu trabalho.

Formada em físico-química na Universidade de Budapeste, Mária Telkes decidiu se tornar cidadã norte-americana em 1937, onde começou a trabalhar para a Westinghouse Electric onde foi capaz de desenvolver instrumentos que convertiam calor em energia elétrica.

Logo começou a trabalhar em dispositivos termoelétricos movidos a luz solar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) como parte do Projeto de Conversão de Energia Solar, e em 1939 se destacou por uma de suas invenções mais importantes, o destilador solar que convertia água salgada em potável. Com o novo sistema, foi possível entregar água para soldados que lutavam na Segunda Guerra Mundial e diminuir as demandas em lugares onde a água era escassa, como as Ilhas Virgens.

Continuou trabalhando com energia solar durante toda a sua vida, mas um dos projetos de maior destaque foi a construção da primeira residência aquecida com energia solar em Massachusetts.

Além disso, também ajudou a desenvolver materiais capazes de suportar as temperaturas extremas do espaço.

Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios por sua grande contribuição ao mundo.

Mulheres Revolucionárias: Catarina, a Grande

Catarina nasceu na Pomerânia, a atual Polônia, em 1729.C Era conhecida como Sophie Friederike Auguste, ou apenas princesa von Anhalt-Zerbst, antes de se casar com Pedro III da Rússia.

Antes de seu casamento, era pouco provável de que conseguisse subir ao trono mas o que ninguém esperava era que Sophie seria uma das rainhas mais famosas da história.

Seu pai era um homem de confiança dos czares da Rússia e Isabel, a czarina, tinha uma afeição especial pela garota.

Para conseguir entrar em acordo matrimonial com o filho do rei, Sophie teve que mudar seu nome e sua religião para conseguir se adaptar à cultura local.

Em janeiro de 1762, com a morte de Isabel, os príncipes finalmente subiriam ao trono. Mas essa coroa não ficaria muito tempo na cabeça de Pedro III pois em setembro do mesmo ano, foi assassinado e Catarina assumiria o poder total da coroa.

O amante de Catarina, Gregori Orloff, estava organizando um plano para derrubar o czar há muito tempo, mas acabou sendo descoberto e, correndo o risco de serem condenados por traição ao rei, os dois amantes resolveram dar um golpe de Estado para Catarina ficasse com todo o poder e assim, não fossem decapitados. Mesmo com o golpe, Orloff estava receoso de que o rei ainda conseguisse se vingar e o matou.

Após descobrir o que havia acontecido com seu marido, Catarina tratou de cortar relações com seu amante para que ninguém suspeitasse de sua ligação com o assassino.

Mesmo com todos os escândalos que a envolviam, ela foi uma grande rainha pois teve de lutar contra o Império Otomano durante todo o seu reinado e obteve vitória todas as vezes. Também anexou inúmeros territórios ao Império, fazendo com que a Rússia chegasse ao Mar Negro que é de extrema importância para o transporte comercial.

Além disso, foi ela quem inaugurou a Universidade de Moscou e a Academia Russa. Além de ser diretora da Academia Imperial das Artes, atualmente conhecida como Academia Russa das Ciências e fazia parte do membro da  Academia Real de Ciências da Suécia.

Durante todo seu reinado, Catarina melhorou profundamente o ensino das artes e ciências, tanto que foi a primeira mulher da história a comandar uma academia nacional de ciências.

Mulheres Revolucionárias: as irmãs Brontë

Antigamente muitas áreas eram vistas como masculinas, ou seja, as mulheres não podiam trabalhar nelas. A literatura é uma delas, mas para seguir a paixão da escrita, muitas mulheres usavam pseudônimos masculinos para que seus livros fizessem sucesso.

A família Brontë é um ótimo exemplo disso. As irmãs Charlotte, Emily e Anne são responsáveis por livros famosos até os dias de hoje, como O Morro dos Ventos Uivantes e Jane Eyre.

Mulheres Revolucionárias: as irmãs Brontë

Embora não fossem de classe alta, as irmãs ficaram famosas com as publicações de livros, alguns deles baseados em suas próprias vidas. As três começaram a trabalhar desde muito novas como governantas e professoras.

Charlotte Brontë começou a usar o pseudônimo de Currer Bell após seu primeiro trabalho, O Professor, não ter ido tão bem. Já seu segundo livro, Jane Eyre, foi um sucesso.

Já Emily decidiu usar o nome Ellis Bell quando publicou seu único romance, chamado O Morro dos Ventos Uivantes e assim que foi lançado, gerou grande confusão e polêmica entre a geração daquela época.

Além do livro, também escreveu diversos poemas que hoje em dia são muito cobiçados por colecionadores e bibliotecas.

Nenhuma outra obra foi publicada pois Emily morreu de tuberculose um ano após a publicação de seu livro, aos 30 anos.

A última e mais nova irmã da família, Anne, também conhecida pelo pseudônimo de Acton Bell, decidiu publicar um novo volume ao livro de sua irmã Emily. O anexo contava a história de Agnes Gray e também foi baseado na vida das garotas. Poucos meses mais tarde, Anne publicou a obra O Inquilino de Wildfell Hall e não decepcionou, pois o livro entrou para a grade de sucessos da família.

Infelizmente, Anne também morreu muito jovem, aos 29 anos, com a mesma doença da irmã.

Os críticos daquela época aclamavam as obras e não tinham dúvidas que os autores dos livros eram homens, já que eram histórias brutais e mulheres jamais conseguiriam escrever tais coisas.

Alguns até pensavam que as três irmãs eram, na verdade, apenas um homem com três nomes diferentes, ou seja, existia apenas um autor.

Chernobyl: a catástrofe

Após a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética (atual Rússia) começou a investir em energia nuclear e em 1977 começaram a colocar reatores nucleares (RBMK) no país, mas este projeto tinha um grande erro e isso facilitou que em 1986 acontecesse o maior acidente nuclear do mundo.

Em uma cidade da União Soviética, onde hoje faz parte da Ucrânia, o reator de uma usina nuclear começou a pegar fogo, o que logo causou uma explosão. A partir de então, tudo foi uma sequência rápida de desastres.

Apenas o incêndio já seria perigoso, já que ele joga todo o material radioativo na atmosfera, e dessa forma o vento pode levar para todas as direções. E foi exatamente o que aconteceu,  locais como Polônia, Bielorrússia, Áustria, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá também foram atingidos pela radiação, embora tenha sido menos elevado.

Chernobyl: a catástrofe
Imagem do Google

O governo local pensou que aquele acidente poderia ser escondido, e chegou a negar as acusações de que havia acontecido alguma coisa, mas quando a radiação atingiu o primeiro país, todos perceberam o que realmente estava acontecendo. A União Soviética temia que contar a verdade causasse impactos negativos para a reputação do país, mas esconder um fato tão importante do mundo poderia ter causado ainda mais estragos.

No dia do acidente, uma manutenção de rotina havia sido agendada e aproveitando  a ocasião, alguns engenheiros iriam fazer um teste para ver se era possível fazer o resfriamento do local se a usina ficasse sem energia mas na hora eles acabaram infringindo protocolos de segurança, sobrecarregando o reator e como resultado do erro humano, imediatamente aconteceu uma reação em cadeia de explosões.

Como se já não bastasse o incêndio, agora o reator havia explodido e lançado material radiativo (como iodo-131, césio-137, xenônio-133, telúrio-132, estrôncio-90 e grafite aquecido) para todos os lados.

Mesmo com toda essa radiação no ar, só depois de 36 horas que o governo permitiu que a população da cidade de Pripyat, onde fica localizada a usina, fosse evacuada, sendo proibido levar objetos, alimentos e animais domésticos. Ninguém poderia se aproximar da cidade, a distância mínima era de 30km.

Para conter o fogo e a radiação, foram enviados cerca de 800 mil pessoas (como soldados, cientistas, bombeiros, mineiros e operários) para a cidade. Esses trabalhadores foram enviados para um local de alta radiação sem saber de todos os perigos que enfrentavam, o governo incentivava seus cidadãos a irem para o local com um bom salário e discursos patriotas para encobrir a verdade. Muitas pessoas só descobriam que corriam risco de vida quando chegavam na cidade.

As mortes totais desse acidente é incerta até hoje, já que a Rússia afirma que apenas 31 pessoas morreram por conta da radiação, mas alguns pesquisadores e especialistas estimam que o saldo total de mortes fica entre 16 e 90 mil mortes, além dos casos de pessoas que ficaram com câncer.

Depois que o pior já havia sido contido, foi necessário criar uma contenção para que a radiação diminuísse ao longo dos anos. Conhecido como Sarcófago de Chernobyl, uma estrutura metálica foi levantada e a sua projeção é que funcione até o final do século XXI, onde terá de ser feita uma nova proteção, já que a radiação continuará por pelo menos mais 24 mil anos.

O desastre ambiental foi muito grande, atualmente a população de animais cresceu mas ainda não é possível dizer se eles são realmente saudáveis e se houve de fato alguma mudança genética, mas o número de animais com catarata e albinismo é muito maior que no resto do mundo. A vegetação, que também sofreu grandes impactos, aumentou significativamente nessa área.

No mesmo ano do acidente, o país organizou uma comissão para descobrir as causas e os responsáveis pelo acidente, onde três pessoas foram condenadas a dez anos de prisão: Viktor Bryukhanov (diretor da fábrica), Nikolai Fomin (engenheiro-chefe) e Anatoly Dyatlov (número dois do engenheiro-chefe).

Além do erro humano, é importante ressaltar que o projeto do reator RBMK possuí erros em seu design, o que torna o reator mais propenso a acidentes.

No setor econômico e político, o acidente acabou apressando o fim da União Soviética. Porém, mesmo com todo o resultado dessa catástrofe, o mundo ainda não percebeu realmente o perigo que a energia nuclear é, já que ainda existem 10 reatores como o de Chernobyl (RBMK) em operação na Rússia e outros ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

História Tudor: Como viviam as mulheres do período

Podemos ver, ainda nos dias de hoje, que muitas mulheres passam por dificuldades e se sentem excluídas por não fazerem parte do padrão de beleza atual, ou não ter roupa da moda, mas sempre foi desse jeito? Perguntamos para a Ana Carolina Gomes e Liliane Oliveira, formadas em design de moda, sobre como era viver no século XV e XVI sendo uma mulher.

Por que antigamente as mulheres eram retratadas (em pinturas) de forma triangular enquanto os homens eram retratados de forma quadrada? 

Liliane: A ideia de que homens sempre devem ser fortes e mostrar virilidade e as mulheres feminilidade e fertilidade, sempre foram evidenciadas pelas suas vestimentas, então o formato de suas roupas mostravam exatamente essa divisão, homens com ombros largos, em alguns casos nessa época, com reforços e evidência para sua genitália, mostrando masculinidade e virilidade, daquele que era o provedor.  Enquanto a mulher, tinha evidência de busto e quadris, que evidenciavam sua feminilidade e fertilidade, as casadas ainda carregavam a obrigação de vitrine do poder aquisitivo de seu marido, quanto mais joias, bordados e ostentação havia nas suas roupas, maior poder aquisitivo tinha sua família.
É importante lembrar que adornos, bordados e ostentação eram encontrados em trajes femininos e masculinos nessa época.

Ana Carolina: Mas as questões também vêm de antes do período Tudor, pois é sobre um padrão de modelagem que seguiu por muito tempo. O que o Tudorismo trouxe para a moda foi a influência da igreja como: Puritanismo, Opulência e tem influência Hispânica e Italiana.

Imagem por Tudor Brasil

Qual era o papel da anágua e da túnica na antiguidade? 

Liliane: Túnicas e anáguas eram utilizadas como roupas de baixo, normalmente brancas, quanto maior a quantidade de trocas (era o ideal ter pelo menos 1 troca de roupa para cada dia da semana, ter um número maior que esse era um sinal de ostentação e riqueza) e quanto mais brancas, maior o poder aquisitivo. Geralmente essas peças eram feitas em linhos finos.

Ana Carolina: A anágua que também pode ser chamada de Petticoat, começou a ser usada em 1585. Era normalmente usada como segunda pele para diminuir a transparência de outras peças mas também para definir o corpo da mulher, mudar o formato do corpo, ter cinturas mais finas e quadril maior e se pode ver o uso dela até o século 18. Claro que as mesmas tiveram modificações, de tecidos, formatos, usos e etc.

Já a túnica foi algo que veio da pré história, inicialmente usada para proteção contra frio e também para a caça onde o homem se opunha contra outros animais feitos de fibras vegetais e peles de animais.

Com o passar dos séculos a vestimenta tomou outros propósitos, também usado para diferenciar indivíduos normalmente do sexo masculino, visto bastante no Oriente médio com o propósito totalmente diferente, em tecidos leves, modelagem larga e em cores claras.

Imagem por Tudor Brasil

Por que as mulheres precisavam usar capelo antigamente?

Liliane: O capelo era um acessório que além de mostrar riqueza, servia como identificação para as mulheres. Mulheres casadas não podiam usar cabelos soltos, pois eram mal vistas, portanto usavam capelos que cobriam todo o cabelo ou capelos com faixas. As mulheres solteiras usavam capelos com cabelos soltos em sinal de virgindade e castidade.

Imagem do Google

Sabemos que a maquiagem foi usada muito tempo para indicar posição e status de uma pessoa, mas elas eram muito prejudiciais para a saúde? E a tintura para cabelos? 

Liliane: A maquiagem além de status era muito utilizada para esconder certas doenças de pele, machucados, etc. Principalmente quando eram colocadas as pretas, usadas para esconder feridas. Muitas dessas doenças eram ocasionadas pela falta de higiene. Realmente não tinham muitos estudos, ou técnicas, então não eram muito saudáveis.

Ana Carolina: Sim, a maquiagem era usada para mostrar sua posição e status diante a sociedade, mas também para esconder marcas, pequenas deficiências e de doenças como a varíola, herpes… Mas os padrões de beleza eram levados totalmente como questões de status, peles claras e cabelos dourados para se diferenciar as classes ricas e superiores, pois as mulheres pobres  que trabalhavam fora acabavam tendo tom de pele bronzeada o que não era ideal para os ricos.

Acredito que como na época tudo era feito baseado para mostrar status, eram sim prejudiciais pelo excesso, mas na maioria eram usados produtos naturais, lembrando que na época a higiene era algo feito com pouca frequência tanto nos corpos quanto nas roupas, então o perfume foi algo que foi usado com frequência para abafar odores mas também como um demonstrador de status.

História Tudor: Elizabeth I

Sem nenhuma duvida de quem sucederia o trono, em janeiro de 1559 Elizabeth I foi coroada rainha da Inglaterra. Conhecida como Gloriana, a jovem Rainha das Fadas, desta vez, uma mulher foi recebida de braços abertos pela população.

Mesmo com todos os gritos de aprovação com a nova rainha, ainda restava um obstáculo para Elizabeth, se casar. O que era um grande desafio, pois ela se considerava casada com o seu povo. Um herdeiro era necessário para manter a dinastia intacta, porém ela nunca pensou na possibilidade, nunca se vira como a esposa de um rei. Não aceitaria que um homem governasse o seu país, o seu povo.

Conhecida também como “a rainha virgem”, muitos especulam até hoje o que realmente aconteceu para que ela nunca tenha se casado.

O seu único interesse romântico conhecido da época foi Robert Dudley, seu amigo de infância. Todos sabiam que ele era o “favorito da rainha” mas nunca conseguiram provar um romance verdadeiro. Mesmo que Elizabeth demonstrasse ter ciúmes de Robert, nunca considerou casar-se com ele. Os dois permaneceram amigos até o último dia de suas vidas.

Infância

A princesa Elizabeth teve uma vida difícil enquanto crescia pois sua mãe, Anne Boleyn, foi condenada por traição, isso significava que ela poderia ser uma filha ilegítima. E isso logo surgiu na cabeça de Henry VIII, seu pai.

Portanto, cresceu longe de sua família e não tinha mais direito ao trono. Apenas em 1543 que foi considerada realmente filha do rei.

Religião

Ao contrário de sua irmã Mary I, decidiu ir por um caminho com mais aceitação e tolerância religiosa, pois mesmo sendo protestante, não obrigava seus súditos a seguirem a mesma religião e assim acabou com a perseguição religiosa que havia se instaurado no país com a rainha anterior.

Invencível armada

Em 1588, o rei da Espanha organizou uma armada para atacar a Inglaterra e acabar com a influência que o país tinha sob os Países Baixos. Com a vantagem sendo da Espanha, por ter um número de navios superior, todos achavam que a vitória era óbvia, mas com todos os investimentos que a Inglaterra havia feito em sua frota, seus navios eram mais bem preparados para aguentar um imprevisto. E foi exatamente o que aconteceu. A maior tempestade que os tripulantes já haviam visto aconteceu durante a guerra e os navios espanhóis não aguentaram e afundaram. A baixa de navios e tripulação foi alta para os dois lados mas a Espanha levou a pior nesse episódio.

Em terra firme, em Tilbury, a rainha Elizabeth I aguardava a frota espanhola para a batalha, enquanto dava um discurso encorajador para seus súditos apenas algumas horas antes de saber que já havia ganhado a guerra.

Eu venho até vocês, como vêem, neste momento, não para entreter-me ou divertir-me, mas estando decidida a viver ou morrer entre vocês, no calor da batalha […] Sei que tenho o frágil e fraco corpo de uma mulher, mas eu tenho o coração e estômago de um Rei, e de um Rei da Inglaterra também.

Sabendo que naquela época, a mulher era vista como incapaz e apenas homens lutavam, fez este discurso principalmente para que não fosse julgada pelo seu povo e mostrar que era capaz de qualquer coisa.

Novo mundo

Em 1584, Elizabeth queria expandir seus horizontes e enviou Walter Raleigh para navegar as águas da América do Norte e assim, descobriu e colonizou Virginia (nome dado em homenagem à rainha), agora um dos 50 estados dos Estados Unidos.

No ano seguinte, com a ajuda de John White, um famoso explorador, descobriram Roanoke Island, agora conhecida como Carolina do Norte. Raleigh também passou pela costa brasileira, descobrindo novos animais e especiarias. Também pensou ter descoberto o El Dorado, uma lenda onde diz que havia uma cidade feita inteiramente por ouro e ter inúmeros tesouros.

Últimos anos

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Depois de ter pego varíola e a doença ter deixado várias manchas em sua pele e pouco cabelo em sua cabeça, quanto mais sua fisionomia mudava, mais Gloriana ficava aborrecida, já que sua imagem era extremamente importante em seu trabalho.

Em 1598, a rainha começou a trocar cartas com Jaime VI, o filho de Mary Stuart e rei da Escócia. Um de seus conselheiros, Robert Cecil, fez com que todas as cartas fossem enviadas em extrema confidencialidade.

Em 1603 as coisas começaram a piorar quando alguns amigos próximos de Elizabeth morreram e isso a deixou com depressão. Alguns meses depois do incidente, decidiu entrar em seu quarto, no palácio de Richmond, e se recusava a sair, morrendo pouco tempo depois.

Em suas últimas palavras, disse que deixava seu trono para Jaime VI, terminando assim, uma linhagem inteira dos monarcas da casa Tudor.

História Tudor: Torre de Londres III

Esta é a terceira e última parte sobre a Torre de Londres, na Inglaterra.

Aproveite para ler a primeira e segunda parte desta matéria.

  • Elizabeth I e a armada espanhola

Este retrato, que por sinal ocupa uma parede inteira, de Elizabeth I foi feito em homenagem a uma guerra vencida com muito orgulho contra os espanhóis. Ele ilustra o momento em que a rainha estava em Tilbury com suas tropas para resistir à invasão da Espanha.

  • Elizabeth I e sua cabeça

Muito se vem estudando e questionando sobre como os monarcas realmente se pareciam, além dos quadros e pinturas encontrados. Pensando nisso, alguns especialistas fizeram uma cabeça em 4D de como a rainha Elizabeth provavelmente parecia e a colocou em exposição no museu dentro da Torre.

Imagem por Paula Santinati
  • Prisioneiros da torre

Olhando para as paredes de uma das torres, onde antigamente era uma prisão entre os anos de 1100 até 1952, podemos perceber que algumas palavras foram esculpidas nela, feitas por prisioneiros.

Podemos dizer que este é o palco de execuções de pessoas da realeza mais famoso mesmo que não fosse sua função principal.

Muitas histórias em relação à prisão são contadas até hoje, muitos dizem que é um lugar assombrado pelas almas de pessoas mortas no local. O mais icônico é o do rei Henry VI, muitos dizem que encontram com ele na capela, rezando.

Imagem por Paula Santinati
Imagem por Paula Santinati

As inscrições abaixo foram esculpidas por seguidores de Thomas Wyatt, que levantou uma rebelião contra Mary I em 1554. Seus nomes eram Robert Rudston e Thomas Culpepper.

História Tudor: Henry VIII

O inicio

Conhecido por ser louco ter se casado seis vezes e decapitado grande parte, ter desafiado a igreja católica e mandado vários exércitos para a morte. Quando Henry subiu ao trono, em 1509, não podia nem imaginar o que aconteceria nos seus anos de reinado.

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Porém, antes desta fama, outra parte de Henry era conhecida, a de um jovem que ascendeu ao trono com apenas 18 anos, inteligente, atlético, musicista, amante de justas e bailes, que iria levar o reino da Inglaterra aos seus melhores anos.

Na infância, por ser o filho homem mais novo, nunca foi o favorito. Recebeu uma educação muito diferente de seu irmão, enquanto Artur recebia um berçário exclusivo, Henry compartilhava um com sua irmã Margaret.

Sua primeira grande aparição, com apenas 3 anos de idade, foi quando Perkin Warbeck, um impostor que dizia ser o duque de York aprisionado anos antes e conseguiu apoio de algumas pessoas, e o pai de Henry precisou mostrar seu segundo filho para a população e o declarou o genuíno duque de York. Foi preparado um grande espetáculo que durou dois dias, com paradas, banquete, cerimônia de cavalaria, e nomeação.

Artur

Com uma vida muito diferente de seus irmãos, Artur vivia em Ludlow, na fronteira com o País de Gales, tendo seus estudos e treinamento para quando fosse nomeado rei. Com apenas 3 anos, ele foi prometido em casamento para uma princesa espanhola chamada Catalina de Aragão, casando-se aos 13 anos por procuração, junto ao embaixador espanhol, com a princesa. Quando se encontraram pela primeira vez, perceberam que não conseguiam se compreender, pois cada um havia aprendido uma pronuncia diferente do latim. Se casaram pessoalmente na catedral de Saint Paul, em 1501 mas apenas 5 meses mais tarde, Artur morreria.

Sendo agora o próximo ao trono, Henry recebeu o título de Príncipe de Gales mas não ganhou uma cerimônia. O problema agora era que ele precisava de um treinamento de rei, então seus estudos e treinamento físicos se tornaram cada vez mais intensos. Aos 14 anos, era praticamente a sombra de seu pai, vivendo sempre ao seu lado. Em 1503, o rei percebeu que Henry logo precisaria de uma esposa, e para ele, a escolha óbvia era Catalina, a viúva de Artur. Porém, pouco tempo depois a mãe de Catalina viria a óbito e consequentemente, a herança de Catalina reduziria drasticamente, tornando o casamento desvantajoso. O rei decidiu deixar a noiva sem saber que o casamento não aconteceria, e a deixou em uma das residências reais, longe de tudo. Quando orei morreu, em 1509, Henry (que agora era rei), decidiu casar-se com Catalina e em junho se realizaria a cerimonia.

Reforma Religiosa

O rompimento com a igreja católica foi um movimento estratégico do rei para conseguir um divórcio de sua esposa Catalina de Aragão e casar-se com Anne Boleyn. Para isso, era necessário que o papa aceitasse seu pedido de divórcio, mas foi recusado por Clemente VI, e isso foi a gota d’água para Henry pois desde a guerra dos cem anos a Inglaterra tinha problemas políticos com Roma.

Em 1534, quando o Henry VIII foi excomungado pela Igreja Católica, foi decretado o Ato de Supremacia, onde o rei era o chefe supremo da Igreja da Inglaterra, também conhecida como Igreja Anglicana, ou seja, o rei decidia tudo o que acontecia ali dentro, como nomear nomes para cargos eclesiásticos e também começou a confiscar as terras e bens que a Igreja Católica possuía dentro de seu país, como terras de mosteiros.

Saúde

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Em 1536, a saúde do rei estava gravemente debilitada, mesmo quando estava obeso e com muita dificuldade de se locomover, com gota, diabetes e cheio furúnculos pelo corpo, decidiu participar de uma justa na qual sofreu um acidente que acabou agravando um ferimento na perna. Foi tão grave que nenhum médico da época conseguiu melhorar a situação, e cada dia mais o machucado piorava, causando uma infecção que incapacitou o rei até o fim de seus dias. Alguns historiadores dizem que este acidente foi o que causou uma mudança tão brusca de humor e comportamento.

Regência

Nos dias finais de seu reinado, Henry decidiu escrever um testamento onde colocaria instruções para o reinado de seu filho, que tinha apenas 9 anos e temendo que fizessem seu filho de marionete, mandou que o país fosse comandado por um Conselho de Regência, onde todos teriam a mesma autoridade. Enquanto estava escrevendo quem iria compor este conselho, em janeiro de 1547, Henry deu seu último suspiro.

História Tudor: Torre de Londres II

Esta é a segunda parte sobre a Torre de Londres, na Inglaterra.

Aproveite para ler a primeira parte desta matéria.

  • Traitor’s Gate

Hoje em dia ainda podemos encontrar o local onde várias pessoas, incluindo algumas esposas de Henry VIII, foram trancafiadas antes de serem executadas. Este é o portão onde todos os acusados de traição contra o rei entravam. Edward I o construiu entre 1275 e 1279 como uma simples entrada pela água para as acomodações reais que existiam ali. O arco em cima do portão foi construído apenas em 1532 pelo mestre carpinteiro de Henry VIII para o processo de coroação da então rainha Anne Boleyn. Poucos anos depois, Anne estaria de volta, mas agora como prisioneira

  • Apresentação

Podemos encontrar várias apresentações que ocorrem durante o ano na Torre de Londres, mas umas das mais especiais com certeza é a de Anne Boleyn no dia de sua execução. No vídeo abaixo mostro um pedacinho desta peça, feita em agosto de 2018.

Imagens por Paula Santinati

Nesta parte, a atriz mostra parte do julgamento onde Anne fez seu discurso instantes antes de ser decapitada.

Seu discurso foi:

“For according to the law, and by the law I am judged to die, and therefore I will speak nothing against it. I am come hither to accuse no man, nor to speak anything of that, where of I am accused and condemned to die, but I pray God save the king and send him long to reign over you, for a gentler nor a more merciful prince was there never: and to me he was ever a good, a gentle and sovereign lord.”

“De acordo com a lei, e pela lei sou julgada para morrer, e, portanto, nada farei contra ela. Eu não vim aqui para acusar ninguém, nem para falar nada disso, do qual sou acusada e condenada a morrer, mas rezo para que Deus salve o rei e o envie muito tempo para reinar sobre você, pois um príncipe mais gentil e misericordioso nunca existiu: e para mim ele sempre foi um senhor bom, gentil e soberano.”

  • Tower Green
Imagem por Paula Santinati

Atualmente conhecido como o jardim da torre, este era o local onde ocorria um grande número de decapitações. Apenas os privilegiados eram levados para lá, como rainhas e pessoas com forte apelo popular.

A parte da casa (em branco) em estilo Tudor, é conhecida como Queen’s House ou Casa da Rainha e é famosa por ser o local onde Anne Boleyn passou seus últimos dias antes da execução.

  • Homenagem

Bem na entrada da Torre, podemos ver uma bela escultura que foi feita em homenagem para as pessoas que foram presas e mortas naquele local. Ela mostra o nome e o ano em que foram mortas.

Imagem por Paula Santinati

História Tudor: Como funcionava a medicina na época

Na época Tudor, os médicos seguiam os ensinamentos de Aristóteles, onde o corpo tinha quatro elementos importantes – sangue, fleuma, bile amarela e bile negra- e todas as doenças eram causadas pelo excesso de um desses elementos. Para curar, os médicos faziam o uso de drogas que provocavam vômitos (essas drogas podiam incluir partes de animais e minerais) e muitas vezes sanguessugas eram colocadas nos pacientes para tirar o excesso de sangue (em tentativas mais agressivas, facas e serras eram usadas).

Como já era de se esperar, muitos ferimentos e doenças acabavam infeccionando ou piorando e o paciente morria.

Para ter uma ideia melhor sobre estas atrocidades, a historiadora formada pela PUC, Thays Macedo, explica:

“Nessa época, métodos como a cauterização, o uso das mesmas ferramentas em vários pacientes ainda era muito comum” explica Thays. “Principalmente durante as guerras, onde médicos treinavam suas habilidades nós campos, queimando feridas para conter hemorragias e arrancando dentes a sangue frio para evitar infecções, o que muitas vezes não era eficaz. Então, começa-se observar que suturar os ferimentos ao invés de cauterizar, tinha mais eficácia contra infecções futuras e provocava menos dor.”

“Alguns cientistas também começam a observar que doenças que eram causadas por agentes externos, deveriam ser tratados com medicamentos mais específicos, como exemplo a sífilis ( ou doença francesa)” diz Macedo. “A doença começou a aparecer na Europa em meados do século XV, onde ainda se tem discussões sobre sua origem ser do continente americano ou não, causou uma grande epidemia, pois não se sabia como trata-la. A doença só começou a ser controlada quando o uso do mercúrio no tratamento começou a ser feito, isso muitos anos depois de sua chegada. Outras doenças como gripe, o tifo e o sarampo, foram espalhadas pelos europeus durante as grandes navegações, levando nativos a quase extinção pela falta de conhecimento e tratamento da doença.”

Porém, muitas descobertas foram feitas a partir dos erros que eram cometidos, é então que começa a influência de uma medicina mais parecida com o que conhecemos hoje.

Assista ao vídeo abaixo para entender o que a historiadora tem para contar.