A origem do Champagne

O Champagne é uma bebida que ficou popular por ser sinônimo de momentos especiais. Afinal, quem não lembra da bebida nos últimos momentos do ano, para comemorar o ano que está chegando?

Até o momento da abertura da garrafa é festivo, além de não saber onde a rolha vai parar, você ainda pode tentar um truque para encher todas as taças empilhadas de uma vez só. Mas qual é a sua verdadeira história?

Foi apenas com os avanços da ciência e os trabalhos de fermentação de Louis Pasteur que essa efervescência na bebida foi possível, antes disso ela era um tipo de vinho comum.

Ou seja, entre os séculos XVI e XVII, essa bebida era bem diferente do que conhecemos hoje, nem espumante ela era. A verdade é que um monge beneditino chamado Dom Pérignon que ficou conhecido como o inventor do champagne.

Quando estava peregrinando pela Abadia de Saint Hillaire, acabou descobrindo o método de vinificação dos vinhos efervescentes daquela época e ao voltar para casa, criou sua própria bebida.

O monge tinha uma espécie de adega na Abadia de Hautvillers, que ficava na cidade de Épernay, na França.

Foi ele quem percebeu que os vinhos fermentavam novamente depois que estivessem engarrafados e os tipos de lacres utilizados na época não eram bons o suficiente para a bebida, fazendo com que em muitos casos ela simplesmente explodisse por causa do gás carbônico.

Por isso ele decidiu utilizar garrafas mais fortes e resolver o problema da explosão prendendo a rolha com arame.

A marca Dom Pérignon

Hoje em dia a famosa marca Dom Pérignon é sinônimo de luxo, mas foi muito excluída quando foi criada.

Ela pertencia à Maison Mercierce, mas foi utilizada como dote em 1927 quando uma mulher de sobrenome Mercier se casou com um homem da família Chandon.

Foi só em 1935 quando o jornalista inglês Laurence Venn sugeriu a Moët & Chandon, um produtor do vinho, para criar um produto de alta qualidade com a empresa que já tinham.

A distribuidora Simon & Brothers entregou para toda a aristocracia inglesa da época com uma safra de 1921 e todos instantaneamente amaram.

O que era pra ser apenas uma sugestão, virou um grande negócio e perdura até os dias de hoje.

O que é assemblage?

O assemblage nada mais é do que a mistura de dois ou mais tipos de vinhos e foi o monge quem teve a ideia de fazer isso, traduzindo a experiência como “bebendo estrelas”.

Foi então que a bebida começou a ter diversas técnicas, até as que conhecemos hoje em dia, como o Champenoise e o Charmat.

Criação do nome Champagne

O nome da bebida que conhecemos hoje por Champagne precisa seguir uma rigorosa regulamentação, criada em 1941 pelo Comitê Interprofissional do Vinho de Champagne (CIVC). Ela serve para certificar a qualidade dos produtos.

Sua origem foi na França, e seu nome veio da região onde o espumante foi criado.

Inclusive, atualmente esse nome define uma área geográfica específica em que o vinho deve ser cultivado e fabricado, caso a produção seja feita fora dessa área, o produto será chamado por outro nome.

O primeiro Champagne

A história diz que a primeira taça de champagne servida por através de Maison Ruinart, em 1729.

Emily in Paris: Champère Champagne

Na série, a casa de champagne de Camille chamada Épernay Champagne faz uma publicidade de uma versão “ruim de champagne” para que fosse usado como spray, e não para beber.

Muitos amantes da bebida podem ter ficado chateados com o que a série passou, mas na vida real é possível fazer uma comparação com a marca GH Mumm.

Mesmo não tendo gosto ruim, ela era praticamente a marca oficial para pilotos vitoriosos da Fórmula 1.

O primeiro a fazer isso, em 1966, foi Jo Siffert. Uma garrafa da bebida explodiu na hora de abrir, por acidente depois de ter vencido a corrida das 24 Horas de Le Mans.

No ano seguinte o piloto Dan Gurney imitou o acontecido, iniciando uma tradição

A rixa no futebol além do campo

Em muitos países o futebol é um esporte muito celebrado ao longo dos anos, e no futebol do Reino Unido isso não seria diferente, o problema é que a competição vai para além do estádio.

Toda a briga que existe entre um lado e outro da população desse lugar pode ser vista dentro e fora de campo. Essa história teve inicio basicamente quando a religião começou a separar as pessoas, entre católicos e protestantes.

A própria Inglaterra tem seus clássicos, chamado Big Six (que inclui Manchester City, Manchester United, Liverpool, Arsenal, Tottenham e Chelsea).

Já na Escócia, quem fica com esse título é o Celtic Football Club contra Rangers Football Club. Duelando a mais de um século para descobrir quem deve ficar com o comando de Glasgow.

Infelizmente essas equipes foram criados com base em uma rivalidade que já existia nos países, sendo o principal deles a religião.

Por exemplo, o Celtic foi fundado durante um encontro da igreja St. Mary, em Glasgow, e sua torcida irlandesa-escocesa até hoje possui uma ideologia em relação ao Reino Unido.

O time Rangers foi fundado em 1872 e até hoje seus pensamentos são contrários ao time verde. Eles são protestantes e mais conservadores que o Celtic e isso é visto não apenas quando o apito é tocado, já que quando os 90 minutos de jogo acabam, a rivalidade continua.

Desastre de Ibrox

Em 2 de janeiro de 1971 um estádio foi campo de tragédia que acabou resultando em 66 mortes e mais de 200 feridos.

Como o Celtic estava vencendo por 1 a 0 neste dia, alguns torcedores do Rangers começaram a ir embora do Estádio Ibrox, mas foi nesse momento que o jogador Colin Stein marcou o gol de empate e todos que estavam indo embora começaram a voltar para comemorar.

Foi então que as barreiras da escada se romperam pelo alto número de pessoas se movimentando apenas para uma direção, e isso acabou esmagando todos que estavam comemorando.

Esse gol é conhecido até hoje como o mito da meta de Stein.

Em 2020 completou 49 anos do desastre e muitas pessoas que estavam presentes no dia foram prestar homenagens aos ex-jogadores e torcedores que morreram naquele dia.

Infelizmente aquele episódio não foi o único que aconteceu, já que em 1909 ficou marcado por atos de violência de enfrentamento das torcidas escocesas, conhecido como Old Firm.

Mudança de hábito

Em 1989 o Rangers decidiu que não iria continuar a contratar apenas pessoas de certa religião e por isso o jogador Maurice Thomas Johnson, um católico, foi contratado para quebrar uma tradição de séculos que não era tão saudável.

Essa política de recusar católicos foi criada após a Primeira Guerra Mundial e começou a afetar até mesmo quem era casado com algum católico, mesmo que o próprio jogador não fosse, como foi o caso do atleta Alex Ferguson.

O atacante foi questionado por estar em um relacionamento com uma mulher católica e o time quis ter certeza de que eles não se casariam.

Essa história foi explicada recentemente, em um documentário chamado Sir Alex Ferguson: Never Give In.

Com o passar dos anos essa rivalidade acabou diminuindo a as pessoas ficando mais tolerantes umas com as outras, mas é visível que ela ainda continua existindo.

O que é o Old Firm?

O Old Firm é o nome utilizado para falar sobre o maior clássico do futebol escocês, as duas equipes de Glasgow se chamam Celtic Football Club e Rangers Football Club.

A história dos dois times existe desde 1888 e até hoje é um dos clássicos de futebol mais antigos e com a maior rivalidade que existe.

Sua divergência cultural e religiosa faz com que até pessoas que não gostam de futebol ou moram fora da Escócia se envolvam.

O futebol dos astecas

O futebol perfeito dos Astecas

O futebol é um esporte muito antigo, mas suas raízes estão espalhadas por diversos jogos e países, mas o jogo da civilização asteca era uma espécie de futebol bem diferente do que conhecemos hoje, já que quem perdia era decapitado.

Ou seja, para vencer o jogo era necessário evitar todo e qualquer tipo de erro, ser quase perfeito.

Por volta de 1400 a.C a civilização olmeca começou a se espalhar pelo México e a construir diversas vilas, templos e claro quadras para que as pessoas pudessem jogar e praticar diferentes tipos de esportes.

O que ficou conhecido como ollamaliztliem nahuatl no idioma deles, era uma espécie de entretenimento amigável e feito diariamente, mas quando aconteciam os jogos cerimoniais todo mundo se preparava para vencer, porque o time que perdesse seria decapitado.

O jogo na religião

Mesmo que fosse uma forma de diversão no dia a dia, o jogo tinha grande importância religiosa para aquelas pessoas, sendo ligado com o mito dos Gêmeos Heróis e também a batalha do Sol contra a Lua.

No dia a dia nenhuma morte acontecia, apenas em casos de acidentes. As mortes aconteciam apenas em jogos cerimoniais, e os mortos eram uma oferenda para os deuses.

Como jogar?

As regras variavam muito, mas a ideia principal era que a bola não poderia sair da quadra e nem cair no chão, poderia no máximo ser quicada duas vezes e passada para o próximo. O que realmente mudava eram os membros usados, podendo mudar de quadris, joelhos, punhos, cotovelos e até mesmo tacos de madeira.

A bola era feita de uma variação de plantas e borracha com 30 cm e 4kg, fazendo com que os jogadores acabassem seriamente machucados, tendo casos até mesmo de ossos quebrados e claro, poderia levar à morte em partidas feitas com a cabeça.

Mesmo que fosse utilizado uma armadura de tecido, couro e de madeira, aquilo não era forte o suficiente para impedir o impacto da forma correta.

Quem podia jogar?

Todas as pessoas poderiam jogar, mas apenas os nobres poderiam se tornar profissionais, já que apenas eles frequentavam a escola esportiva chamada Calmenac.

Geralmente as partidas eram feitas com um time de nobres contra escravos ou prisioneiros e por esse motivo alguns historiadores sugerem que tudo era armado para que em partidas cerimoniais o sacrifício fosse feito apenas com pessoas pobres e não com a nobreza.

Ao final, o time vencedor pegava a cabeça do perdedor e chutavam entre os membros do time a cabeça dos mortos.

Quanto tempo durou essa prática?

É difícil de dizer exatamente quando o jogo começou, mas sua prática durou cerca de 3 mil anos, até que a conquista espanhola chegou no território daquela civilização e dizimou todas as pessoas, juntamente com suas tradições.

A quadra esportiva mais conhecida da época era em Chichen Itza, mas ainda hoje é possível encontrar sua influencia no estado de Sinaloa, no México. O jogo atualmente se chama ulama.

Como começou o Setembro Amarelo?

Como começou o Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha feita ao longo do mês de Setembro para conscientizar as pessoas sobre os problemas emocionais, à valorização da vida e para orientar na prevenção ao suicídio. Mas como começou o Setembro Amarelo?

Tudo começou em 1994 com um homem chamado Mike Emme, nos Estados Unidos.

Ele levava uma vida comum até o dia que decidiu comprar um carro de modelo Ford Mustang 1968 e para deixar mais personalizado, reconstruiu e pintou sua nova aquisição de amarelo. Mike fez um trabalho tão bom que começou a ficar popular pela cidade e desde então começou a ajudar as pessoas com sua habilidade mecânica, como ajudar pessoas com o carro quebrado no acostamento.

Um de seus conhecidos contou a história de quando Emme tinha a intenção de comprar uma transmissão nova para seu carro e então o colega lhe disse que também precisava mas não tinha dinheiro para comprar. Foi então que Mike decidiu comprar uma transmissão usada, assim poderia pagar uma para ele e outra para seu amigo.

Certo dia, seus pais encontraram uma carta em seu quarto escrito

  “Não se culpe, mamãe e papai, eu amo vocês.”

Mike, 23:45

Quando foram até a garagem, às 23h52, perceberam que já era tarde demais e haviam perdido o querido filho. O que eles e toda a cidade não tinha entendido é que mesmo parecendo estar feliz e realizado por fora, sua mente era completamente diferente.

No enterro, as pessoas começaram a compartilhar suas histórias com o então conhecido de Mustang Mike e percebendo que o garoto tinha sérios problemas psicológicos, decidiram fazer uma cesta repleta de cartões decorados com fitas amarelas e escrito nesses cartões estava a frase “Se você precisar, peça ajuda.”

Para evitar a morte de outros, os pais de Mike decidiram criar uma fundação chama Yellow Ribbon para alertar e conscientizar as pessoas do risco desse problema. Foi então que surgiu o Setembro Amarelo, uma homenagem ao mês de suicídio de Mike Emme e ao símbolo da fita pela cesta em seu enterro.

As olimpíadas e a arte

As olimpíadas e a arte

Em 1912 o idealizador das olimpíadas colocou algumas categorias que hoje em dia não encontramos mais e que talvez faça falta para algumas pessoas, já que o torneio ficava ainda mais especial com elas.

Quando o fundador dos Jogos Olímpicos modernos, Pierre de Coubertin, estava criando essa espécie de festival esportivo, achou que uma das grandes contribuições da humanidade para o mundo eram as artes e por isso decidiu colocar algumas categorias artísticas nesse evento.

Quais as categorias das olimpíadas?

As categorias eram música, literatura, pintura, escultura e arquitetura, além de serem muito aguardadas durante aquela época, era um diferencial chamativo já que contava com mais de 2 mil artistas do mundo todo.

Como os artistas grandes e famosos não queriam participar, apenas os amadores participavam e assim conseguiam mais atenção para seus trabalhos, mas isso acabou causando um problema. Os juízes acabavam julgando que ninguém merecia a categoria de ouro e geralmente apenas medalhas de bronze eram dadas.

Alguns desses artistas eram também atletas e perceberam que conseguiriam ganhar medalhas mais altas em outras categorias. É claro que existiam exceções, como foi o caso do Walter W. Winans, que em 1912 conseguiu não apenas uma medalha de prata por tiro ao alvo e ouro na modalidade de escultura.

Qual o motivo de terem retirado as categorias?

Todas as vezes que as comissões julgadoras escolhiam um vencedor, havia uma grande repercussão, já que mesmo tendo pessoas de todos os países na comissão, os padrões utilizados para o julgamento eram ocidentais clássicos e acabavam excluindo outras culturas, sendo impossível ganhar medalha dessa maneira, mesmo que o artista fizesse um bom trabalho.

Com as categorias ficando cada vez mais polêmicas, muitos começaram a pensar que seria necessário fazer algumas mudanças nos Jogos Olímpicos e ao invés de realizarem uma competição mais justa com outras tradições e culturas, em 1951 Coubertin faleceu e com isso, precisavam de outra pessoa para ocupar seu lugar na presidência.

Foi então que Avery Brundage, um atleta norte-americano, entrou e decidiu que retirar todas as modalidades artísticas seria o melhor caminho a ser seguido.

Heranças dos jogos

Diversas artes e tradições começaram a ser mais exploradas e conhecidas ao redor do mundo, fazendo com que a disseminação artística ficasse cada vez maior. Com isso, muitas obras incríveis foram criadas, como é o caso do Estádio Olímpico de Amsterdam, feito pelo holandês Jan Wils, durante as olimpíadas de 1928.

O queijo mais perigoso do mundo

Segundo o Guinness Book de 2009, o queijo mais perigoso do mundo foi criado em uma Ilha muito popular da Itália, a Sardenha.

Mesmo que suas praias e grutas atraiam muitos turistas ao longo dos anos, o mais inacreditável do local é a iguaria chamada casu marz, que em uma tradução direta seria “queijo podre”. Mesmo que muitos queijos levem essa fama por conta do modo de preparo, esse é o que se pode chamar de mais próximo entre os queijos podres.

O casu marz é da família dos queijos pecorinos que chega em um estado de decomposição com a ajuda de uns mosquitinhos conhecidos comomoscas-do-queijo ou Piophila casei.

O preparo é o mesmo de um queijo à base de leite de ovelha, o que diferencia essa comida especial é o modo de maturação: colocam as moscas dentro do queijo e o fecham, assim elas vivem lá por um tempo, comendo o queijo e botando seus ovos. O sabor que muitos dizem ser forte, picante e até mesmo cremoso vem da larva que vive ali e dos excrementos das moscas. Lá elas vivem por cerca de 3 meses até que o queijo entre em um estado de decomposição.

O trabalho das larvas é de potencializar a fermentação e quebrar os lipídios, tornando a textura do pecorino única.

Na hora de comer é que a diversão começa, já que são várias formas de preparo para servir: alguns tiram todas as larvas e moscas antes de comer, outros colocam todo o queijo em uma centrífuga para que os animais e a comida se tornem um só.

Já alguns casos mais extremos, a preferência é de comer assim que termina a fermentação, com as larvas e tudo.

Os produtores do casu marz garantem que nenhuma larva fica viva quando o queijo está pronto para o consumo mas comer larvar mortas pode ser tão tóxico e letal quanto as vivas, em alguns casos chega até a ser pior.

Por este queijo diferenciado ser tão radical, ele levantou uma questão sanitária e sua comercialização acabou sendo proibida no mundo todo em 1962. Porém, na ilha de Sardenha ainda é possível encontrar moradores locais que fazem esse queijo para consumo próprio e até mesmo em alguns mercados negros.

Mesmo que para muitas pessoas isso pareça loucura, esse queijo faz parte de uma tradição de muitos anos e antigamente ele era visto até mesmo como uma dádiva divina.

Ciência no Brasil: Bertha Lutz

Não é de hoje que a ciência muda o mundo, mas talvez já tenha passado da hora de mostrar a importância dos nomes por trás de toda a pesquisa que é feita diariamente. Para iniciar essa jornada da Ciência no Brasil, Bertha Lutz será a primeira de muitas pessoas a ter seu nome mencionado nessa nova saga do blog.

Nascida como Bertha Maria Júlia Lutz mas conhecida apenas como Bertha Lutz. Esse foi o nome de uma das grandes pesquisadoras e ativistas do Brasil. Apesar de ter sido criada na Europa e ter se formado na Universidade de Sorbonne em Ciências Naturais, seu segundo diploma (Direito) foi na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A pequena Lutz já nasceu com grande influência da ciência em sua vida, sendo filha de um cientista e pioneiro Adolfo Lutz e da enfermeira inglesa Amy Fowler.

Outro ponto que sempre foi muito forte em sua vida foi a motivação para correr atrás de seus direitos, participando desde muito nova de movimentos feministas como a campanha sufragista de Paris.

Em 1918 quando já estava no Brasil, foi a segunda mulher a conseguir um cargo no serviço público no país, como bióloga no Museu Nacional e foi crescendo em sua carreira, chegando a ser chefe do setor de Botânica no mesmo museu.

Trabalhou por longos 46 anos na instituição, alcançando reputação internacional com sua extensa pesquisa em espécies anfíbias brasileiras, ajudando na pesquisa zoológica.

Mas infelizmente naquela época a mulher era vista como incapaz e não tinha direito nem mesmo de votar nas eleições, pensando nisso, Bertha decidiu criar o primeiro congresso feminista brasileiro. Insatisfeita com a situação que percebera não apenas no trabalho, mas na vida como um todo, criou (em 1919) a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher.

Não muitos anos depois (1932) dessa criação, conseguiu, juntamente com suas companheiras, que o presidente Getúlio Vargas assinasse o direito ao voto feminino.

Alguns anos mais tarde, ainda como líder da Liga, conseguiu papéis importantes na política como o cargo de Câmara Federal, em 1936, e lutou diariamente pela igualdade salarial, redução da jornada de trabalho e também pela licença maternidade.

Com seu importante papel, também conseguiu participar de algumas conferências, como a de São Francisco em 1945, sendo a única mulher da comitiva brasileira.

Para entender um pouco mais de sua história, é possível assistir ao documentário chamado A Mulher na Carta da ONU.

Mulheres Revolucionárias: Mária Telkes

Mária Telkes foi uma mulher revolucionária, mas acima de tudo, foi a cientista e inventora que revolucionou a área da eletricidade com seu trabalho.

Formada em físico-química na Universidade de Budapeste, Mária Telkes decidiu se tornar cidadã norte-americana em 1937, onde começou a trabalhar para a Westinghouse Electric onde foi capaz de desenvolver instrumentos que convertiam calor em energia elétrica.

Logo começou a trabalhar em dispositivos termoelétricos movidos a luz solar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) como parte do Projeto de Conversão de Energia Solar, e em 1939 se destacou por uma de suas invenções mais importantes, o destilador solar que convertia água salgada em potável. Com o novo sistema, foi possível entregar água para soldados que lutavam na Segunda Guerra Mundial e diminuir as demandas em lugares onde a água era escassa, como as Ilhas Virgens.

Continuou trabalhando com energia solar durante toda a sua vida, mas um dos projetos de maior destaque foi a construção da primeira residência aquecida com energia solar em Massachusetts.

Além disso, também ajudou a desenvolver materiais capazes de suportar as temperaturas extremas do espaço.

Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios por sua grande contribuição ao mundo.

Peaky Blinders: uma história real

No dia 10 de junho saiu a sexta temporada de Peaky Blinders, uma série de ficção histórica que traz ao conhecimento público a história de uma gangue inglesa.

Mesmo que alguns pontos sejam fictícios, a série foi baseada em fatos reais, como o nome por exemplo, o nome. A gangue realmente se chamava Peaky Blinders.

Peaky é uma referência para as boinas com aba que todos os integrantes usavam, já a parte do Blinders é um pouco mais vaidoso, já que essa gíria de Birmingham era para designar uma aparência elegante e essa elegância toda era uma marca especial da gangue, já que era incomum que membros de qualquer outra gangue se vestissem tão bem naquela época. Seus ternos sob medida realmente deram o que falar porque dessa forma toda a população de Small Heath, a polícia e as gangues rivais conseguiam os distinguir de cara.

E esse nome combinava não apenas com a aparência deles mas como o modo de agir do grupo, já que abordavam as pessoas por trás e cobriam o rosto delas usando a famosa boina, assim não saberiam quem havia roubado elas.

A família Shelby da vida real nunca existiu, já que a gangue era formada apenas por amigos mas alguns membros foram inspirados por pessoas reais. Thomas Shelby era na verdade Thomas Gilbert, responsável por realizar grilagem de terras. Já Billy Kimber, ao contrário do que mostra na série, era um membro Peaky também, mas decidiu sair e criar sua própria gangue, a chamada Brummagen Boys.

Em 1890 a área de Small Heath, em Birmingham, era a mais pobre e perigosa de toda a Inglaterra e foi exatamente nela que surgiram os Peaky Blinders. Nesse mesmo ano um homem com o crânio quebrado apareceu e ficou conhecido como o primeiro assassinato do grupo.

Mesmo com toda a agressividade, roubos, apostas ilegais, invasão à domicílio e porte ilegal de arma, os membros ficavam no máximo um mês presos por causa de seus esquemas de proteção através de corrupção policial e suborno. Assim como na série, eles de fato controlavam toda Birmingham.

Sim, o grupo tinha realmente fazia apostas de cavalos e futebol, mas naquela época qualquer pessoa podia apostar ou ser um bookmaker. O que eles faziam de diferente e ilegal era a extorsão, já que ficavam com até 50% da renda das casas de apostas da região. Os só saíram do poder na década de 1930, quando o líder de uma gangue italiana chamado Charles Darby Sabini tomou conta.

Outro fato que foi levemente modificado foi o corte de cabelo da série, mesmo que os Blinders tivessem esse corte, eles usavam apenas uma mecha de cabelo para fora da boina e isso era uma marca registrada dos Peaky Blinders.

Talvez o personagem que mais chame a atenção hoje em dia seja o político inglês Oswald Mosley, amigo de Mussolini e Hitler. Além de possuir o título hereditário de 6º Baronete, também fez parte da cavalaria e da Royal Flying Corps durante a Primeira Guerra Mundial, só parou quando sofreu um acidente e seu tornozelo quebrou, ficando inválido para participar da luta.

Pouco tempo depois, em 1918, já era muito popular na Câmara dos Comuns e participava de partidos políticos como o Partido Independente e o Partido do Trabalhador. Quando casou com Lady Cynthia Curzon, a festa de casamento contou com presenças ilustres como a do rei George V e da rainha Mary de Teck.

Após sua primeira esposa morrer, Mosley casou-se novamente, dessa vez com uma de suas amantes (Diana Guinness) e em 1936 a lista de convidados do novo casamento contava com o próprio Adolf Hitler.

Achando que estava popular o suficiente, criou seu próprio partido chamado New Party (depois mudou para União Britânica de Fascistas), que contou com a proteção da gangue Biff Boys. Após conhecer as táticas de Hitler e Mussolini, decidiu ir para o lado fascista e a usar a mesma simbologia que os extremistas, chegando a criar seu próprio uniforme, aquela roupa toda preta que foi mencionada da série.

Na série da Netflix e da BBC, Thomas Shelby menciona várias vezes que jornais como Daily Mail e Daily Mirror eram ruins, isso se dá por causa da afiliação dos donos destes jornais (na vida real) ao partido de Oswald Mosley.

Como havia participado da Primeira Guerra Mundial, um de seus objetivos era evitar a Segunda Guerra Mundial ao se aliar com Hitler, mas nunca conseguiu ganhar força, mesmo ganhando um assento dentro do Parlamento Britânico, nunca conseguiu ser bem sucedido na política.

Ao contrário do que se diz na série, o grupo Peaky Blinders foi criado antes da Primeira Guerra, mas realmente participaram da batalha e muitos voltaram com transtorno de estresse pós-traumático, o que fez com que o grupo ficasse mais fragilizado e com o tempo, acabou perdendo importância.

Mesmo que a série não seja completamente baseada em fatos reais, vale a pena assistir.

Origem da margarina: o concurso de Napoleão

Durante boa parte do século 19, a França passou por momentos difíceis, seja na área financeira ou de alimentos. Como a população urbana diminuía rapidamente, a comida ficava cada vez mais difícil de chegar na boca da população urbana.

Um dos alimentos mais urgentes era a manteiga, e por isso Napoleão III desafiou que os cientistas encontrassem uma maneira de substituí-lo. A ideia era que ela fosse facilmente conservada e também tivesse um preço mais acessível, já que a manteiga era cara e as pessoas estavam cada vez mais pobres devido à crise econômica.

Pensando nisso, em 1869 o Hippolyte Mège-Mouriès, um químico francês, criou o margaron que era a gordura de aparência perolada do produto que hoje conhecemos por margarina.

Ao longo dos anos a margarina passou por diversos processos e transformações, mas foi com a desoberta de Mège-Mouriès que ela foi descoberta.

Em 1871 a margarina mais parecida com o que conhecemos hoje apareceu na Holanda, e desde então foi mundialmente popularizada.