História Tudor: Elizabeth I

Sem nenhuma duvida de quem sucederia o trono, em janeiro de 1559 Elizabeth I foi coroada rainha da Inglaterra. Conhecida como Gloriana, a jovem Rainha das Fadas, desta vez, uma mulher foi recebida de braços abertos pela população.

Mesmo com todos os gritos de aprovação com a nova rainha, ainda restava um obstáculo para Elizabeth, se casar. O que era um grande desafio, pois ela se considerava casada com o seu povo. Um herdeiro era necessário para manter a dinastia intacta, porém ela nunca pensou na possibilidade, nunca se vira como a esposa de um rei. Não aceitaria que um homem governasse o seu país, o seu povo.

Conhecida também como “a rainha virgem”, muitos especulam até hoje o que realmente aconteceu para que ela nunca tenha se casado.

O seu único interesse romântico conhecido da época foi Robert Dudley, seu amigo de infância. Todos sabiam que ele era o “favorito da rainha” mas nunca conseguiram provar um romance verdadeiro. Mesmo que Elizabeth demonstrasse ter ciúmes de Robert, nunca considerou casar-se com ele. Os dois permaneceram amigos até o último dia de suas vidas.

Infância

A princesa Elizabeth teve uma vida difícil enquanto crescia pois sua mãe, Anne Boleyn, foi condenada por traição, isso significava que ela poderia ser uma filha ilegítima. E isso logo surgiu na cabeça de Henry VIII, seu pai.

Portanto, cresceu longe de sua família e não tinha mais direito ao trono. Apenas em 1543 que foi considerada realmente filha do rei.

Religião

Ao contrário de sua irmã Mary I, decidiu ir por um caminho com mais aceitação e tolerância religiosa, pois mesmo sendo protestante, não obrigava seus súditos a seguirem a mesma religião e assim acabou com a perseguição religiosa que havia se instaurado no país com a rainha anterior.

Invencível armada

Em 1588, o rei da Espanha organizou uma armada para atacar a Inglaterra e acabar com a influência que o país tinha sob os Países Baixos. Com a vantagem sendo da Espanha, por ter um número de navios superior, todos achavam que a vitória era óbvia, mas com todos os investimentos que a Inglaterra havia feito em sua frota, seus navios eram mais bem preparados para aguentar um imprevisto. E foi exatamente o que aconteceu. A maior tempestade que os tripulantes já haviam visto aconteceu durante a guerra e os navios espanhóis não aguentaram e afundaram. A baixa de navios e tripulação foi alta para os dois lados mas a Espanha levou a pior nesse episódio.

Em terra firme, em Tilbury, a rainha Elizabeth I aguardava a frota espanhola para a batalha, enquanto dava um discurso encorajador para seus súditos apenas algumas horas antes de saber que já havia ganhado a guerra.

Eu venho até vocês, como vêem, neste momento, não para entreter-me ou divertir-me, mas estando decidida a viver ou morrer entre vocês, no calor da batalha […] Sei que tenho o frágil e fraco corpo de uma mulher, mas eu tenho o coração e estômago de um Rei, e de um Rei da Inglaterra também.

Sabendo que naquela época, a mulher era vista como incapaz e apenas homens lutavam, fez este discurso principalmente para que não fosse julgada pelo seu povo e mostrar que era capaz de qualquer coisa.

Novo mundo

Em 1584, Elizabeth queria expandir seus horizontes e enviou Walter Raleigh para navegar as águas da América do Norte e assim, descobriu e colonizou Virginia (nome dado em homenagem à rainha), agora um dos 50 estados dos Estados Unidos.

No ano seguinte, com a ajuda de John White, um famoso explorador, descobriram Roanoke Island, agora conhecida como Carolina do Norte. Raleigh também passou pela costa brasileira, descobrindo novos animais e especiarias. Também pensou ter descoberto o El Dorado, uma lenda onde diz que havia uma cidade feita inteiramente por ouro e ter inúmeros tesouros.

Últimos anos

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Depois de ter pego varíola e a doença ter deixado várias manchas em sua pele e pouco cabelo em sua cabeça, quanto mais sua fisionomia mudava, mais Gloriana ficava aborrecida, já que sua imagem era extremamente importante em seu trabalho.

Em 1598, a rainha começou a trocar cartas com Jaime VI, o filho de Mary Stuart e rei da Escócia. Um de seus conselheiros, Robert Cecil, fez com que todas as cartas fossem enviadas em extrema confidencialidade.

Em 1603 as coisas começaram a piorar quando alguns amigos próximos de Elizabeth morreram e isso a deixou com depressão. Alguns meses depois do incidente, decidiu entrar em seu quarto, no palácio de Richmond, e se recusava a sair, morrendo pouco tempo depois.

Em suas últimas palavras, disse que deixava seu trono para Jaime VI, terminando assim, uma linhagem inteira dos monarcas da casa Tudor.

História Tudor: Torre de Londres III

Esta é a terceira e última parte sobre a Torre de Londres, na Inglaterra.

Aproveite para ler a primeira e segunda parte desta matéria.

  • Elizabeth I e a armada espanhola

Este retrato, que por sinal ocupa uma parede inteira, de Elizabeth I foi feito em homenagem a uma guerra vencida com muito orgulho contra os espanhóis. Ele ilustra o momento em que a rainha estava em Tilbury com suas tropas para resistir à invasão da Espanha.

  • Elizabeth I e sua cabeça

Muito se vem estudando e questionando sobre como os monarcas realmente se pareciam, além dos quadros e pinturas encontrados. Pensando nisso, alguns especialistas fizeram uma cabeça em 4D de como a rainha Elizabeth provavelmente parecia e a colocou em exposição no museu dentro da Torre.

Imagem por Paula Santinati
  • Prisioneiros da torre

Olhando para as paredes de uma das torres, onde antigamente era uma prisão entre os anos de 1100 até 1952, podemos perceber que algumas palavras foram esculpidas nela, feitas por prisioneiros.

Podemos dizer que este é o palco de execuções de pessoas da realeza mais famoso mesmo que não fosse sua função principal.

Muitas histórias em relação à prisão são contadas até hoje, muitos dizem que é um lugar assombrado pelas almas de pessoas mortas no local. O mais icônico é o do rei Henry VI, muitos dizem que encontram com ele na capela, rezando.

Imagem por Paula Santinati
Imagem por Paula Santinati

As inscrições abaixo foram esculpidas por seguidores de Thomas Wyatt, que levantou uma rebelião contra Mary I em 1554. Seus nomes eram Robert Rudston e Thomas Culpepper.

História Tudor: Henry VIII

O inicio

Conhecido por ser louco ter se casado seis vezes e decapitado grande parte, ter desafiado a igreja católica e mandado vários exércitos para a morte. Quando Henry subiu ao trono, em 1509, não podia nem imaginar o que aconteceria nos seus anos de reinado.

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Porém, antes desta fama, outra parte de Henry era conhecida, a de um jovem que ascendeu ao trono com apenas 18 anos, inteligente, atlético, musicista, amante de justas e bailes, que iria levar o reino da Inglaterra aos seus melhores anos.

Na infância, por ser o filho homem mais novo, nunca foi o favorito. Recebeu uma educação muito diferente de seu irmão, enquanto Artur recebia um berçário exclusivo, Henry compartilhava um com sua irmã Margaret.

Sua primeira grande aparição, com apenas 3 anos de idade, foi quando Perkin Warbeck, um impostor que dizia ser o duque de York aprisionado anos antes e conseguiu apoio de algumas pessoas, e o pai de Henry precisou mostrar seu segundo filho para a população e o declarou o genuíno duque de York. Foi preparado um grande espetáculo que durou dois dias, com paradas, banquete, cerimônia de cavalaria, e nomeação.

Artur

Com uma vida muito diferente de seus irmãos, Artur vivia em Ludlow, na fronteira com o País de Gales, tendo seus estudos e treinamento para quando fosse nomeado rei. Com apenas 3 anos, ele foi prometido em casamento para uma princesa espanhola chamada Catalina de Aragão, casando-se aos 13 anos por procuração, junto ao embaixador espanhol, com a princesa. Quando se encontraram pela primeira vez, perceberam que não conseguiam se compreender, pois cada um havia aprendido uma pronuncia diferente do latim. Se casaram pessoalmente na catedral de Saint Paul, em 1501 mas apenas 5 meses mais tarde, Artur morreria.

Sendo agora o próximo ao trono, Henry recebeu o título de Príncipe de Gales mas não ganhou uma cerimônia. O problema agora era que ele precisava de um treinamento de rei, então seus estudos e treinamento físicos se tornaram cada vez mais intensos. Aos 14 anos, era praticamente a sombra de seu pai, vivendo sempre ao seu lado. Em 1503, o rei percebeu que Henry logo precisaria de uma esposa, e para ele, a escolha óbvia era Catalina, a viúva de Artur. Porém, pouco tempo depois a mãe de Catalina viria a óbito e consequentemente, a herança de Catalina reduziria drasticamente, tornando o casamento desvantajoso. O rei decidiu deixar a noiva sem saber que o casamento não aconteceria, e a deixou em uma das residências reais, longe de tudo. Quando orei morreu, em 1509, Henry (que agora era rei), decidiu casar-se com Catalina e em junho se realizaria a cerimonia.

Reforma Religiosa

O rompimento com a igreja católica foi um movimento estratégico do rei para conseguir um divórcio de sua esposa Catalina de Aragão e casar-se com Anne Boleyn. Para isso, era necessário que o papa aceitasse seu pedido de divórcio, mas foi recusado por Clemente VI, e isso foi a gota d’água para Henry pois desde a guerra dos cem anos a Inglaterra tinha problemas políticos com Roma.

Em 1534, quando o Henry VIII foi excomungado pela Igreja Católica, foi decretado o Ato de Supremacia, onde o rei era o chefe supremo da Igreja da Inglaterra, também conhecida como Igreja Anglicana, ou seja, o rei decidia tudo o que acontecia ali dentro, como nomear nomes para cargos eclesiásticos e também começou a confiscar as terras e bens que a Igreja Católica possuía dentro de seu país, como terras de mosteiros.

Saúde

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Em 1536, a saúde do rei estava gravemente debilitada, mesmo quando estava obeso e com muita dificuldade de se locomover, com gota, diabetes e cheio furúnculos pelo corpo, decidiu participar de uma justa na qual sofreu um acidente que acabou agravando um ferimento na perna. Foi tão grave que nenhum médico da época conseguiu melhorar a situação, e cada dia mais o machucado piorava, causando uma infecção que incapacitou o rei até o fim de seus dias. Alguns historiadores dizem que este acidente foi o que causou uma mudança tão brusca de humor e comportamento.

Regência

Nos dias finais de seu reinado, Henry decidiu escrever um testamento onde colocaria instruções para o reinado de seu filho, que tinha apenas 9 anos e temendo que fizessem seu filho de marionete, mandou que o país fosse comandado por um Conselho de Regência, onde todos teriam a mesma autoridade. Enquanto estava escrevendo quem iria compor este conselho, em janeiro de 1547, Henry deu seu último suspiro.

História Tudor: Torre de Londres II

Esta é a segunda parte sobre a Torre de Londres, na Inglaterra.

Aproveite para ler a primeira parte desta matéria.

  • Traitor’s Gate

Hoje em dia ainda podemos encontrar o local onde várias pessoas, incluindo algumas esposas de Henry VIII, foram trancafiadas antes de serem executadas. Este é o portão onde todos os acusados de traição contra o rei entravam. Edward I o construiu entre 1275 e 1279 como uma simples entrada pela água para as acomodações reais que existiam ali. O arco em cima do portão foi construído apenas em 1532 pelo mestre carpinteiro de Henry VIII para o processo de coroação da então rainha Anne Boleyn. Poucos anos depois, Anne estaria de volta, mas agora como prisioneira

  • Apresentação

Podemos encontrar várias apresentações que ocorrem durante o ano na Torre de Londres, mas umas das mais especiais com certeza é a de Anne Boleyn no dia de sua execução. No vídeo abaixo mostro um pedacinho desta peça, feita em agosto de 2018.

Imagens por Paula Santinati

Nesta parte, a atriz mostra parte do julgamento onde Anne fez seu discurso instantes antes de ser decapitada.

Seu discurso foi:

“For according to the law, and by the law I am judged to die, and therefore I will speak nothing against it. I am come hither to accuse no man, nor to speak anything of that, where of I am accused and condemned to die, but I pray God save the king and send him long to reign over you, for a gentler nor a more merciful prince was there never: and to me he was ever a good, a gentle and sovereign lord.”

“De acordo com a lei, e pela lei sou julgada para morrer, e, portanto, nada farei contra ela. Eu não vim aqui para acusar ninguém, nem para falar nada disso, do qual sou acusada e condenada a morrer, mas rezo para que Deus salve o rei e o envie muito tempo para reinar sobre você, pois um príncipe mais gentil e misericordioso nunca existiu: e para mim ele sempre foi um senhor bom, gentil e soberano.”

  • Tower Green
Imagem por Paula Santinati

Atualmente conhecido como o jardim da torre, este era o local onde ocorria um grande número de decapitações. Apenas os privilegiados eram levados para lá, como rainhas e pessoas com forte apelo popular.

A parte da casa (em branco) em estilo Tudor, é conhecida como Queen’s House ou Casa da Rainha e é famosa por ser o local onde Anne Boleyn passou seus últimos dias antes da execução.

  • Homenagem

Bem na entrada da Torre, podemos ver uma bela escultura que foi feita em homenagem para as pessoas que foram presas e mortas naquele local. Ela mostra o nome e o ano em que foram mortas.

Imagem por Paula Santinati

História Tudor: Torre de Londres I

Muito melhor que fazer uma viagem, é conhecer e entender o local para onde estamos indo.

Além de filmes e livros, também é possível fazer uma viagem para Londres e conhecer um dos palcos mais importantes para a história do país, a Torre de Londres.

Separei esta publicação em três partes para mostrar um pouquinho de como é o lugar, sem que você tenha que sair de casa.

Uma torre com quase mil anos de história e curiosidades para você descobrir. Com certeza é um ótimo passeio para quem está pensando em conhecer Londres e a história da Inglaterra. É um local tão importante que foi declarado patrimônio mundial pela UNESCO.

Ao contrário do que o nome diz, não é apenas uma simples torre e sim um complexo medieval.

E bota complexo nisso! A construção durou muitos anos. Tudo começou em 1070 por Guilherme, o Conquistador. A ideia era construir uma fortaleza para proteger o reino, mas só ficou pronta em meados de 1100. Mesmo tantos anos depois, até hoje a parte construída por Guilherme é a que mais se destaca hoje em dia, sendo a maior torre do complexo. Todas as outras construções foram construídas ao longo do tempo, até o final do século XVI.

Com o passar dos anos, ela foi sendo utilizada para várias coisas, como palácio, prisão e até zoológico. Isso mesmo, podemos dizer que os visitantes mais inusitados e especiais eram os animais.

Imagem por Paula Santinati

Antigamente era comum os monarcas ganharem mimos diferenciados, e os animais eram visto como um presente especial. Por isso, eles eram colocados em exposição na entrada da Torre, onde serviam de entretenimento

O maior problema é que não adequavam o habitat do animal e os coitados obviamente morriam muito cedo pois um pinguim, por exemplo, não conseguiria sobreviver em um ambiente de 30 graus.

O nome do zoológico era Royal Beats e foi fechado em 1832.

Para demonstrar o cenário daquela época, atualmente podemos encontrar alguns animais falsos espalhados pela Torre.

Imagem por Paula Santinati

Cultura dos corvos

No século XVI, o rei Charles ll decretou que o local deveria ter 6 corvos pois, segunda sua superstição, se os corvos deixarem a Torre, o Reino cairá. Curiosamente, essa tradição é seguida até hoje.

Continua

História Tudor: 15 séries, filmes e livros sobre a dinastia

Se você estiver interessado em saber mais sobre a dinastia Tudor, separei uma lista com ótimos livros, filmes e séries que abordam o assunto.

Imagem por Paula Santinati

Livros

Elizabeth I: O anoitecer de um reinado – Margaret George

Elizabeth I: uma biografia – Lisa Hilton

Elizabeth & Mary – Jane Dunn

As Mulheres de Henrique VIII – Antonia Fraser

séries

Reign

The Tudors

FILMES

Duas Rainhas (Mary Queen Of Scots)

Shakespeare Apaixonado (Shakespeare In Love)

Elizabeth: A Era de Ouro (Elizabeth: The Golden Age)

Elizabeth (1998)

Ana dos Mil Dias (Anne Of Thousand Days)

A Outra (The Other Boleyn Girl)

A Rainha Tirana (The Virgin Queen)

Os amores de Henrique VIII (The Private Life of Henry VIII)

Maria Stuart – Rainha Da Escócia (Mary Queen Of Scots)