Ciência no Brasil: Bertha Lutz

Não é de hoje que a ciência muda o mundo, mas talvez já tenha passado da hora de mostrar a importância dos nomes por trás de toda a pesquisa que é feita diariamente. Para iniciar essa jornada da Ciência no Brasil, Bertha Lutz será a primeira de muitas pessoas a ter seu nome mencionado nessa nova saga do blog.

Nascida como Bertha Maria Júlia Lutz mas conhecida apenas como Bertha Lutz. Esse foi o nome de uma das grandes pesquisadoras e ativistas do Brasil. Apesar de ter sido criada na Europa e ter se formado na Universidade de Sorbonne em Ciências Naturais, seu segundo diploma (Direito) foi na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A pequena Lutz já nasceu com grande influência da ciência em sua vida, sendo filha de um cientista e pioneiro Adolfo Lutz e da enfermeira inglesa Amy Fowler.

Outro ponto que sempre foi muito forte em sua vida foi a motivação para correr atrás de seus direitos, participando desde muito nova de movimentos feministas como a campanha sufragista de Paris.

Em 1918 quando já estava no Brasil, foi a segunda mulher a conseguir um cargo no serviço público no país, como bióloga no Museu Nacional e foi crescendo em sua carreira, chegando a ser chefe do setor de Botânica no mesmo museu.

Trabalhou por longos 46 anos na instituição, alcançando reputação internacional com sua extensa pesquisa em espécies anfíbias brasileiras, ajudando na pesquisa zoológica.

Mas infelizmente naquela época a mulher era vista como incapaz e não tinha direito nem mesmo de votar nas eleições, pensando nisso, Bertha decidiu criar o primeiro congresso feminista brasileiro. Insatisfeita com a situação que percebera não apenas no trabalho, mas na vida como um todo, criou (em 1919) a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher.

Não muitos anos depois (1932) dessa criação, conseguiu, juntamente com suas companheiras, que o presidente Getúlio Vargas assinasse o direito ao voto feminino.

Alguns anos mais tarde, ainda como líder da Liga, conseguiu papéis importantes na política como o cargo de Câmara Federal, em 1936, e lutou diariamente pela igualdade salarial, redução da jornada de trabalho e também pela licença maternidade.

Com seu importante papel, também conseguiu participar de algumas conferências, como a de São Francisco em 1945, sendo a única mulher da comitiva brasileira.

Para entender um pouco mais de sua história, é possível assistir ao documentário chamado A Mulher na Carta da ONU.

Mulheres Revolucionárias: Mária Telkes

Mária Telkes foi uma mulher revolucionária, mas acima de tudo, foi a cientista e inventora que revolucionou a área da eletricidade com seu trabalho.

Formada em físico-química na Universidade de Budapeste, Mária Telkes decidiu se tornar cidadã norte-americana em 1937, onde começou a trabalhar para a Westinghouse Electric onde foi capaz de desenvolver instrumentos que convertiam calor em energia elétrica.

Logo começou a trabalhar em dispositivos termoelétricos movidos a luz solar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) como parte do Projeto de Conversão de Energia Solar, e em 1939 se destacou por uma de suas invenções mais importantes, o destilador solar que convertia água salgada em potável. Com o novo sistema, foi possível entregar água para soldados que lutavam na Segunda Guerra Mundial e diminuir as demandas em lugares onde a água era escassa, como as Ilhas Virgens.

Continuou trabalhando com energia solar durante toda a sua vida, mas um dos projetos de maior destaque foi a construção da primeira residência aquecida com energia solar em Massachusetts.

Além disso, também ajudou a desenvolver materiais capazes de suportar as temperaturas extremas do espaço.

Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios por sua grande contribuição ao mundo.

Mulheres Revolucionárias: Catarina, a Grande

Catarina nasceu na Pomerânia, a atual Polônia, em 1729.C Era conhecida como Sophie Friederike Auguste, ou apenas princesa von Anhalt-Zerbst, antes de se casar com Pedro III da Rússia.

Antes de seu casamento, era pouco provável de que conseguisse subir ao trono mas o que ninguém esperava era que Sophie seria uma das rainhas mais famosas da história.

Seu pai era um homem de confiança dos czares da Rússia e Isabel, a czarina, tinha uma afeição especial pela garota.

Para conseguir entrar em acordo matrimonial com o filho do rei, Sophie teve que mudar seu nome e sua religião para conseguir se adaptar à cultura local.

Em janeiro de 1762, com a morte de Isabel, os príncipes finalmente subiriam ao trono. Mas essa coroa não ficaria muito tempo na cabeça de Pedro III pois em setembro do mesmo ano, foi assassinado e Catarina assumiria o poder total da coroa.

O amante de Catarina, Gregori Orloff, estava organizando um plano para derrubar o czar há muito tempo, mas acabou sendo descoberto e, correndo o risco de serem condenados por traição ao rei, os dois amantes resolveram dar um golpe de Estado para Catarina ficasse com todo o poder e assim, não fossem decapitados. Mesmo com o golpe, Orloff estava receoso de que o rei ainda conseguisse se vingar e o matou.

Após descobrir o que havia acontecido com seu marido, Catarina tratou de cortar relações com seu amante para que ninguém suspeitasse de sua ligação com o assassino.

Mesmo com todos os escândalos que a envolviam, ela foi uma grande rainha pois teve de lutar contra o Império Otomano durante todo o seu reinado e obteve vitória todas as vezes. Também anexou inúmeros territórios ao Império, fazendo com que a Rússia chegasse ao Mar Negro que é de extrema importância para o transporte comercial.

Além disso, foi ela quem inaugurou a Universidade de Moscou e a Academia Russa. Além de ser diretora da Academia Imperial das Artes, atualmente conhecida como Academia Russa das Ciências e fazia parte do membro da  Academia Real de Ciências da Suécia.

Durante todo seu reinado, Catarina melhorou profundamente o ensino das artes e ciências, tanto que foi a primeira mulher da história a comandar uma academia nacional de ciências.

Mulheres Revolucionárias: Joana D’arc

Na França de 1400, existia uma jovem chamada Joana D’Arc. Ao contrário do que era comum para a época, ela conseguiu liderar tropas do rei Carlos VII e ganhou batalhas importantes durante a Guerra dos Cem Anos. Joana com certeza foi uma das mulheres revolucionárias do mundo.

Durante o século XV a França passava por grandes dificuldades dinásticas e sua população estava com problemas de terra, comida e financeiros. Como Joana morava no campo, viu que sua família estava passando por dificuldades por conta da Guerra, ela percebeu que precisava fazer alguma coisa a respeito.

Esta jovem mulher da antiguidade também era conhecida como Donzela de Orleans devido ao seu local de nascimento (Domrémy-la-Pucelle). Ela dizia que ouvia algumas vozes, e logo percebeu que elas eram de algumas entidades como o arcanjo Miguel, a Santa Catarina de Alexandria e também da Santa Margarida de Antioquia.

Segundo a própria, essas vozes poderosas a disseram para se juntar ao exército e garantir a coroação do rei da França, Carlos VII. E depois de 3 anos ouvindo essas vozes, foi exatamente o que fez, aos 16 anos D’arc foi para a guerra.

No começo, precisou convencer muitas pessoas de que conseguiria batalhar, já que as mulheres não participavam de nenhum tipo de guerra. Ao passar certo tempo em batalha, conseguiu até mesmo convencer o Rei de que era forte o suficiente para liderar um batalhão francês.

Este cenário ainda é confuso para os historiadores, alguns dizem que ela realmente foi para o campo de guerra, já outros dizem que ela fazia parte do time de estratégia e preparação das tropas do Rei. Mas seu nome ficou grandioso em dois campos de batalha: Orleans e Reims.

A coroação dos reis da França aconteciam na comuna de Reims, portanto uma das vitórias de Joana garantiu que a coroação de Carlos VII acontecesse em 1429. Ele já era monarca desde 1422, mas com a guerra a coroação precisou ser adiada.

Em 1430 foi capturada em batalha por borguinhões e acabou sendo vendida para os ingleses, onde permaneceu presa para ser julgada durante a Santa Inquisição.

Em seu julgamento, levaram em conta o fato dela vestir roupas de homens considerado como heresia e também a condenaram por bruxaria pelo fato dela dizer escutar vozes do além.

Mesmo sendo um dos principais nomes na Guerra dos Cem Anos, Joana D’arc foi queimada aos 19 anos em praça pública. Sua execução aconteceu em 1431, na cidade de Rouen, na França.

Apesar do passado ter sido injusto com as mulheres, D’arc foi beatificada e canonizada em 1909 e nos dias de hoje é tida como a Santa Padroeira da França.

Mulheres Revolucionárias: 4 pintoras pioneiras

Muitas artistas dos séculos 18 e 19 enfrentaram barreiras por causa de seu gênero para receber o devido reconhecimento. Mesmo com essas dificuldades, as pintoras decidiram continuar e criar novas técnicas, sendo pioneiras.

Não existiam proibições especificas sobre as mulheres no mundo da arte, mas elas sempre foram sub -representadas, sendo até confundidas por homens no momento em que um quadro era colocado em um museu. Até hoje ainda estão sendo descobertas à medida que suas obras são reavaliadas.

ÉLISABETH VIGÉE LE BRUN

Essa pintora parisiense ficou muito conhecida em sua época e suas obras se transformam do estilo  rococó para o neoclássico. Até hoje alguns de seus trabalho são famosos, como o retrato da rainha francesa Maria Antonieta e muitos nobres solicitavam suas obras, principalmente durante a Revolução Francesa.

ROSA BONHEUR

Rosa deu o que falar no mundo da arte em 2020, pois sua casa foi comprada por uma mulher para que fosse revitalizada e se tornasse um museu, conhecido atualmente como Château de By.

Bonheur era uma artista do século XIX que ficou conhecida por suas pinturas de animais e por ser a primeira artista a receber a Légion d’Honneur. Popular entre chefes de estado e imperatrizes, ela foi uma das poucas pessoas a conseguir uma permissão especial para usar roupas masculinas.

Uma das obras mais famosas é a The Horse Fair que hoje está pendurada no Metropolitan Museum of Art.

ANGÉLICA KAUFFMAN

Essa artista suíça recebeu um treinamento especial desde muito nova para que suas técnicas fossem aperfeiçoadas cada dia mais, se tornando uma pintora neoclássica proeminente ao longo dos anos. Seus retratos aristocráticos se espalharam por toda a Europa e em 1766 Angélica se tornou uma das fundadoras da Royal Academy of Arts.

MARGUERITE GÉRARD

Essa jovem entusiasta morava com dois artistas conhecidos, sua irmã Marie-Anne Gérard e seu cunhado Jean-Honoré Fragonard no palácio real do Louvre. Para conseguir praticar e melhorar sua arte, ela imitava as pinturas de sua família, mas depois de um tempo começou a retratar cenas da vida cotidiana e por ter quadros acessíveis, acabou se tornando popular.

Mulheres Revolucionárias: Marie Curie

Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, aliás, ela também a única a conseguir dois desses prêmios em campos científicos distintos, o de física (em 1903) e de química (em 1911).

Marie é a pesquisadora e professora polonesa mais conhecida de todos os tempos, principalmente por ter conseguido se destacar em áreas dominadas por homens em sua época.

Ela conseguiu quebrar a barreira de ser vista apenas pelo seu gênero, o que acontecia com praticamente todas as mulheres daquela época, mas não apenas conseguiu seu lugar no mundo como virou sinônimo de estudo da radiação, já que suas pesquisas viraram base para a ciência nuclear moderna.

Bons exemplos da importância de seu trabalho são a radioterapia e a descoberta de 3 elementos radioativos em 1898, o Polônio, Tório, e o Rádio.

Infelizmente, seus trabalhos também contribuíram para a anemia aplástica que causou sua morte prematura aos 66 anos, pois Curie manipulava isótopos radioativos sem os procedimentos de segurança adequados, que surgiram a partir de suas descobertas.

Marie nasceu na Polônia, mas para conseguir estudar, precisou se candidatar em uma universidade clandestina chamada Uniwersytet Latający (Universidade de Voo), uma instituição subterrânea projetada para mulheres e também para manter a cultura polonesa, já que o país estava sob o controle da Rússia.

Em 1891, pensando em um futuro melhor, ela decidiu ir para a França e se matriculou na Universidade de Paris para estudar física, química e matemática.

Alguns anos mais tarde, o  físico Henri Becquerel estava estudando alguns raios intrigantes que emanavam do urânio, já o cientista Wilhelm Roentgen conseguiu comprovar a existência de raios-x. Vendo todo esse estudo, Curie se inspirou e usou os dois fenômenos descobertos pelos pesquisadores para realizar um estudo, e foi então que descobriu que as ondas misteriosas de Becquerel era a radioatividade.

Foi então que Becquerel, Roentgen, Marie e seu marido se uniram para tentar isolar os elementos que estavam sendo estudados anteriormente.

Nessa época Curie também aproveitou para criar a sua tese de doutorado com base na radioatividade, chamada Research on Radioactive Substances.

Com tantas pesquisas e descobertas dos quatro pesquisadores, acabaram chamando a atenção do Comitê do Prêmio Nobel. O grupo conseguiu ganhar o prêmio, mas por pouco que Marie não fica de fora dessa lista, ela só conseguiu pois seu marido reclamou diretamente ao comitê, e isso se tornou um passo muito importante para que mulheres começassem a ser indicadas e ganharem um Nobel pela capacidade intelectual.

Outro passo pioneiro aconteceu em 1906, quando a Universidade de Paris ofereceu o primeiro cargo de professora para uma mulher, e Marie Curie aceitou o convite e poucos anos depois, em 1914 , ela já havia conseguido um laboratório dedicado ao estudo do rádio em conjunto com o Instituto Pasteur.

Nesta mesma época, a Primeira Guerra Mundial começou e foi então que ela começou a trabalhar com sua filha, treinando e dirigindo enfermeiras da Cruz Vermelha e desenvolvendo equipamentos de radiologia de campo.

Depois de sua morte, uma de suas filhas, Irène, continuou os estudos deixados pela mãe e a garota também recebeu um Prêmio Nobel de Química, no ano de 1935.

Mulheres Revolucionárias: criações essenciais

Algumas criações e descobertas essenciais que foram feitas no passado parecem muito comuns hoje em dia, mas a história poderia ser bem diferente se algumas mulheres não tivessem feito a diferença.

Mulheres Revolucionárias: criações essenciais
Foto por Lukas em Pexels.com
Olga D. Gonzalez-Sanabria

Olga foi uma cientista e inventora porto-riquenha. Ela teve um papel fundamental na criação das baterias que habilitam o sistema de energia da Estação Espacial Internacional, as baterias de Níquel-Hidrogênio.

Como a Estação Espacial Internacional não está  sob luz solar direta o tempo todo, durante a década de 1980 ela conseguiu permanecer com energia para sustentar os sistemas e experimentos que se passavam ali graças as baterias.

Desde 2017 as baterias de íons de lítio substituíram as de Olga, mas foi com a ajuda dessa mulher que conseguiram criar algo ainda melhor.

Melitta Bentz

Em 1908, a empreendedora alemã chamada Melitta Bentz criou o primeiro filtro de café. Antes disso, o café era feito com a ajuda de filtros de saco de linho, mas ele além de ser quase impossível de limpar, ainda deixava resíduos na bebida.

Pensando nisso, Melitta experimentou diversas técnicas, mas a vencedora foi a ideia mais simples. A dona de casa fez alguns furos no fundo de uma caneca de latão e depois pegou um pouco de papel de caderno escolar de seu filho e percebeu que o resultado foi perfeito, sem resíduos e menos amargo que o que era servido antigamente.

Naquele mesmo ano decidiu obter a patente e fundar sua empresa.

Marion Donovan

Sabe aquela famosa capa de fralda à prova d’água? Foi Marion Donovan quem a inventou.

Como já estava cansada de encontrar as fraldas de seu filho vazando e sujando a roupa de cama, ela decidiu embrulhar as fraldas da criança com pano de paraquedas de nylon e acabou percebendo que além de não vazar, também não causava assaduras. Em 1951 vendeu sua ideia para a Keko Corporation por US$ 1 milhão.

Ann Tsukamoto

Em 1991 a pesquisadora de células-tronco Ann Tsukamoto inventou um método para isolar células-tronco no corpo. Depois de muitas pesquisas e teorias de que essas células conseguiriam salvar vidas, uma mulher finalmente conseguiu fazer o que ninguém estava conseguindo naquela época.

Atualmente as células-tronco podem ser transplantadas para tratar pessoas com doenças autoimunes e o câncer.

Mary Anderson

Antigamente os o limpador de para-brisa não podia ser controlado pelo lado de dentro do carro.

Em 1903 Mary Anderson percebeu uma oportunidade única quando estava dentro de um bonde e notou que o motorista não conseguia enxergar direito por conta dos granizos que estavam caindo naquele dia. Na mesma semana contratou um designer para que os dois conseguissem criar um dispositivo manual onde fosse possível limpar a janela sem sair de dentro do carro e desde então esse luxo passou a ser comum nos automóveis.

Mulheres Revolucionárias: as irmãs Brontë

Antigamente muitas áreas eram vistas como masculinas, ou seja, as mulheres não podiam trabalhar nelas. A literatura é uma delas, mas para seguir a paixão da escrita, muitas mulheres usavam pseudônimos masculinos para que seus livros fizessem sucesso.

A família Brontë é um ótimo exemplo disso. As irmãs Charlotte, Emily e Anne são responsáveis por livros famosos até os dias de hoje, como O Morro dos Ventos Uivantes e Jane Eyre.

Mulheres Revolucionárias: as irmãs Brontë

Embora não fossem de classe alta, as irmãs ficaram famosas com as publicações de livros, alguns deles baseados em suas próprias vidas. As três começaram a trabalhar desde muito novas como governantas e professoras.

Charlotte Brontë começou a usar o pseudônimo de Currer Bell após seu primeiro trabalho, O Professor, não ter ido tão bem. Já seu segundo livro, Jane Eyre, foi um sucesso.

Já Emily decidiu usar o nome Ellis Bell quando publicou seu único romance, chamado O Morro dos Ventos Uivantes e assim que foi lançado, gerou grande confusão e polêmica entre a geração daquela época.

Além do livro, também escreveu diversos poemas que hoje em dia são muito cobiçados por colecionadores e bibliotecas.

Nenhuma outra obra foi publicada pois Emily morreu de tuberculose um ano após a publicação de seu livro, aos 30 anos.

A última e mais nova irmã da família, Anne, também conhecida pelo pseudônimo de Acton Bell, decidiu publicar um novo volume ao livro de sua irmã Emily. O anexo contava a história de Agnes Gray e também foi baseado na vida das garotas. Poucos meses mais tarde, Anne publicou a obra O Inquilino de Wildfell Hall e não decepcionou, pois o livro entrou para a grade de sucessos da família.

Infelizmente, Anne também morreu muito jovem, aos 29 anos, com a mesma doença da irmã.

Os críticos daquela época aclamavam as obras e não tinham dúvidas que os autores dos livros eram homens, já que eram histórias brutais e mulheres jamais conseguiriam escrever tais coisas.

Alguns até pensavam que as três irmãs eram, na verdade, apenas um homem com três nomes diferentes, ou seja, existia apenas um autor.

A beleza mortal da Era Vitoriana

Quase tudo o que usavam durante a Era Vitoriana (1837 – 1901) era perigoso. Naquela época começaram a surgir uma série de cosméticos, tônicos, biscoitos, chás, sais de banho e até chocolates radioativos.

Para embelezar a pele, dentes e cabelo estes produtos levavam ingredientes como arsênico, chumbo, mercúrio e plantas venenosas como Bella Donna.

Como mostrar a pele pálida estava na moda e era sinal de status naquela época, pois mostrava que era ricas o suficiente para não trabalharem expostas ao sol quente, as mulheres recorriam a todos os tipos de produtos que lhes eram oferecidos, mesmo que não fosse indicado para a saúde.

Um desses produtos é o Alvaiade, um pó feito com bicarbonato de chumbo. Seu uso era feito como talco mas algumas pessoas também diluíam na água para formar uma pasta. Esse é um costume que vem desde o século XVII, pois era o tipo de maquiagem favorita da Rainha Elizabeth I.

Também há rumores de que algumas mulheres preparavam suas banheiras com água e arsênico para tomarem banho e suas peles ficarem brancas e sem manchas. Mesmo que o toque não seja tão mortal quanto a ingestão, os banhos quentes continham vapor e as mulheres inalavam esses gases, o que causava diversos problemas, como o câncer pulmonar.

Para complementar os banhos, sabonetes de arsênico também eram populares, e prometiam trazer o mesmo resultado do banho. Seu uso trouxe problemas gástricos, alergia na pele e irritação nos olhos.

A beleza mortal da Era Vitoriana

O sexo feminino era tido como frágil, e para que os homens continuassem pensando desta forma, as mulheres precisavam ter um olhar triste e lacrimejante, já que isso passava um ar de insegurança e dessa forma seria muito mais fácil conseguir um casamento. Para isso, foi criado um colírio feito com Bella Donna, uma planta venenosa que além de deixar os olhos úmidos, também aumentava a pupila, deixando seus usuários com olhar de cachorrinho sem lar. Mas se fosse usado de forma errada ou exagerada, podia causar cegueira.

No inicio do século XX, o metal Tório (Th) já era muito popular, mas com a descoberta do Rádio (Ra) (feita por Marie Curie em 1896) muitos cosméticos aderiram a esta nova moda. O creme Tho-Radia ficou muito popular entre as mulheres da época. Com uma mistura dos metais Tório e Rádio, ambos radioativos, este creme era muito perigoso.

A beleza mortal da Era Vitoriana
Creme Tho-Radia.
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Ainda com pouca pesquisa, o laboratório Bailey Radium anunciou que aquele creme milagroso poderia curar câncer de estômago, doenças mentais e ainda ajudava a restaurar a vitalidade e a energia sexual.

Outro produto famoso eram os biscoitos do Dr James P. Campbell, que prometia uma pele clara, quase transparente, além de oferecer uma pele livre de rugas e imperfeições. O efeito prometido era realmente alcançado, já que as pessoas que os comiam ficavam doentes.

A beleza mortal da Era Vitoriana
Biscoitos do Dr James P. Campbell.
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Quando os consumidores reclamavam que os biscoitos causavam vómito e diarreia, a marca disse que aquilo era um bom sinal, já que o organismo estava sendo purificado.

Após a alimentação, é necessário escovar os dentes. Mas como manter os dentes sempre brancos? Com o talco de cocaína.

Naquela época os vitorianos usavam pós dentais para fazer a higienização bucal, a maioria era caseiro mas para as pessoas que buscavam ter um dente tão branco quanto a pele, era comum recorrer a produtos comerciais.

Os pós caseiros eram feitos com pó de giz, coral e de fuligem. Mas para o dente ficar ainda mais branco, era comum o uso de cocaína. Ela também deixava a boca das pessoas dormentes, o que diminuía dores comuns da época, como a gengivite.

Muitas pessoas simplesmente misturavam ingredientes sem saber o seu verdadeiro uso e chamavam de receita milagrosa, podendo intoxicar ou matar várias outras indiretamente.

História Tudor: Como viviam as mulheres do período

Podemos ver, ainda nos dias de hoje, que muitas mulheres passam por dificuldades e se sentem excluídas por não fazerem parte do padrão de beleza atual, ou não ter roupa da moda, mas sempre foi desse jeito? Perguntamos para a Ana Carolina Gomes e Liliane Oliveira, formadas em design de moda, sobre como era viver no século XV e XVI sendo uma mulher.

Por que antigamente as mulheres eram retratadas (em pinturas) de forma triangular enquanto os homens eram retratados de forma quadrada? 

Liliane: A ideia de que homens sempre devem ser fortes e mostrar virilidade e as mulheres feminilidade e fertilidade, sempre foram evidenciadas pelas suas vestimentas, então o formato de suas roupas mostravam exatamente essa divisão, homens com ombros largos, em alguns casos nessa época, com reforços e evidência para sua genitália, mostrando masculinidade e virilidade, daquele que era o provedor.  Enquanto a mulher, tinha evidência de busto e quadris, que evidenciavam sua feminilidade e fertilidade, as casadas ainda carregavam a obrigação de vitrine do poder aquisitivo de seu marido, quanto mais joias, bordados e ostentação havia nas suas roupas, maior poder aquisitivo tinha sua família.
É importante lembrar que adornos, bordados e ostentação eram encontrados em trajes femininos e masculinos nessa época.

Ana Carolina: Mas as questões também vêm de antes do período Tudor, pois é sobre um padrão de modelagem que seguiu por muito tempo. O que o Tudorismo trouxe para a moda foi a influência da igreja como: Puritanismo, Opulência e tem influência Hispânica e Italiana.

Imagem por Tudor Brasil

Qual era o papel da anágua e da túnica na antiguidade? 

Liliane: Túnicas e anáguas eram utilizadas como roupas de baixo, normalmente brancas, quanto maior a quantidade de trocas (era o ideal ter pelo menos 1 troca de roupa para cada dia da semana, ter um número maior que esse era um sinal de ostentação e riqueza) e quanto mais brancas, maior o poder aquisitivo. Geralmente essas peças eram feitas em linhos finos.

Ana Carolina: A anágua que também pode ser chamada de Petticoat, começou a ser usada em 1585. Era normalmente usada como segunda pele para diminuir a transparência de outras peças mas também para definir o corpo da mulher, mudar o formato do corpo, ter cinturas mais finas e quadril maior e se pode ver o uso dela até o século 18. Claro que as mesmas tiveram modificações, de tecidos, formatos, usos e etc.

Já a túnica foi algo que veio da pré história, inicialmente usada para proteção contra frio e também para a caça onde o homem se opunha contra outros animais feitos de fibras vegetais e peles de animais.

Com o passar dos séculos a vestimenta tomou outros propósitos, também usado para diferenciar indivíduos normalmente do sexo masculino, visto bastante no Oriente médio com o propósito totalmente diferente, em tecidos leves, modelagem larga e em cores claras.

Imagem por Tudor Brasil

Por que as mulheres precisavam usar capelo antigamente?

Liliane: O capelo era um acessório que além de mostrar riqueza, servia como identificação para as mulheres. Mulheres casadas não podiam usar cabelos soltos, pois eram mal vistas, portanto usavam capelos que cobriam todo o cabelo ou capelos com faixas. As mulheres solteiras usavam capelos com cabelos soltos em sinal de virgindade e castidade.

Imagem do Google

Sabemos que a maquiagem foi usada muito tempo para indicar posição e status de uma pessoa, mas elas eram muito prejudiciais para a saúde? E a tintura para cabelos? 

Liliane: A maquiagem além de status era muito utilizada para esconder certas doenças de pele, machucados, etc. Principalmente quando eram colocadas as pretas, usadas para esconder feridas. Muitas dessas doenças eram ocasionadas pela falta de higiene. Realmente não tinham muitos estudos, ou técnicas, então não eram muito saudáveis.

Ana Carolina: Sim, a maquiagem era usada para mostrar sua posição e status diante a sociedade, mas também para esconder marcas, pequenas deficiências e de doenças como a varíola, herpes… Mas os padrões de beleza eram levados totalmente como questões de status, peles claras e cabelos dourados para se diferenciar as classes ricas e superiores, pois as mulheres pobres  que trabalhavam fora acabavam tendo tom de pele bronzeada o que não era ideal para os ricos.

Acredito que como na época tudo era feito baseado para mostrar status, eram sim prejudiciais pelo excesso, mas na maioria eram usados produtos naturais, lembrando que na época a higiene era algo feito com pouca frequência tanto nos corpos quanto nas roupas, então o perfume foi algo que foi usado com frequência para abafar odores mas também como um demonstrador de status.